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Governo francês em Berlim para solicitar apoio alemão

Os ministros da Economia e das Finanças de França visitam esta segunda-feira Berlim numa tentativa de reforçar a viabilidade do plano gaulês para reforço de competitividade económica. O Governo alemão avança que vai apostar no investimento em infra-estruturas, mas sem contrair dívida.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 20 de Outubro de 2014 às 12:15
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Esta segunda-feira os ministros da Economia, Emmanuel Macron (na foto), e das Finanças, Michel Sapin, viajam até Berlim para se reunirem com os congéneres do governo alemão a fim de transmitirem a viabilidade dos planos gauleses para o reforço da competitividade económica.

 

"Estamos a fazer reformas porque é bom para nós que aumentemos o nosso potencial de crescimento", referiu Macron este domingo à noite em declarações à RTL, entretanto citadas pela agência Bloomberg. O ministro francês considera que o apoio mútuo é o caminho e explica porquê.

 

"Em troca, e é isso que torna positivo este plano, os alemães, salvaguardados pelo nosso trabalho, poderão investir para eles próprios, o que nos ajudará a promover um real plano de investimento para a Europa".

 

Numa altura em que a Europa mostra dificuldades para assegurar um crescimento sustentado e com crescentes sinais que apontam para a estagnação das maiores economias da Zona Euro, os ministros franceses vão tentar convencer Wolgang Schäuble, ministro das Finanças, e Sigmar Gabriel, ministro da Economia e Tecnologia, da bondade e viabilidade do plano francês.

 

A vontade gaulesa passa por garantir o apoio alemão apesar de Paris já ter admitido que não conseguirá cumprir os limites do défice estabelecidos pelas regras europeias, tendo mesmo pedido, pela segunda vez, um adiamento de dois anos para que tal possa verificar-se. Paris compromete-se a colocar o défice abaixo de 3% do PIB apenas em 2017, enquanto o défice estimado de 4,4% para este ano representa mesmo a primeira subida nos últimos cinco anos, no que é um claro sinal das dificuldades francesas para assegurar estabilidade orçamental.

 

Os governantes franceses tentarão convencer os congéneres germânicos a fazer um investimento adicional de 50 mil milhões de euros ao longo dos próximos três anos, assim compensando o corte previsto pelo governo francês que se cifra neste valor durante este período.

 

Citados pela Bloomberg, Schäeuble assumiu que as críticas que vêm sendo feitas por vários responsáveis europeus ao reduzido nível de investimento público alemão se apresentam como "justificadas", enquanto Sigmar Gabriel, pelo seu lado, assegurou que Berlim irá aumentar os níveis de despesa em investimento público em infra-estruturas. Recentemente o Fundo Monetário Internacional (FMI) pedia à Alemanha para apostar em investimento público, "por exemplo na actualização e manutenção das infra-estruturas de transporte".

 

Permanecem, contudo, no seio dos responsáveis alemães uma certa divisão quanto ao caminho que deve ser seguido. Há, no entanto, uma retórica mais prevalecente e que passa pelo cumprimento das regras do Tratado Orçamental e pelo próprio papel que a Alemanha pode desempenhar.

 

A chanceler alemã lembrou isso mesmo na semana passada quando afirmou que "todos os países devem respeitar as regras do Tratado Orçamental".

 

Mais longe foi o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, que garante que uma política de investimento público alemã, de forma a potenciar o consumo interno e assim apoiar as exportações das restantes economias do euro, acabaria por ter um impacto "negligenciável" nos países periféricos.

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