Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Governo quer Miró em museus portugueses mas não diz como

António Costa admitiu a intenção de manter a colecção de Miró do ex-BPN no Estado. Só que, com as obras a permanecerem no Estado sem pagamento à Parvalorem, reduz-se o montante recuperado da nacionalização do banco.

Bloomberg
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 07:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

O Governo quer ficar com as 85 obras de Joan Miró. Para isso, terá de assumir que recebe menos na recuperação de activos tóxicos do Banco Português de Negócios (BPN), nacionalizado em 2008. Mas, para já, o Ministério da Cultura não diz como é que tal será feito.

 

"É orientação do XXI Governo Constitucional a não alienação das obras Miró e sua integração em entidade museológica nacional", assume o gabinete do Ministério da Cultura ao Negócios em resposta ao Negócios.

 

O gabinete de Luís Castro Mendes segue o que foi dito por António Costa: "O Governo já tomou a decisão de fixar definitivamente na cidade do Porto a famosa colecção dos quadros de Miró de forma a que o Porto possa ter um novo polo de atractividade que ajude a consolidar e a reforçar a que tem tido ao longo dos últimos anos", disse em Lisboa, citado pela Lusa.

 

"Neste sentido, estão a ser encetadas todas as diligências necessárias à execução da mesma orientação", acrescenta ainda o gabinete da Cultura ao Negócios, sem especificar que diligências são essas relativamente à colecção que, a partir da próxima sexta-feira e até Janeiro, estará exposta na Fundação Serralves.

 

Só que esta permanência nos museus do Porto, para lá da exposição em Serralves, obriga a mudanças: a colecção do pintor catalão está integrada no balanço da Parvalorem. Com a nacionalização do BPN, transitaram para o Estado as obras de Miró avaliadas em 64.440.000 euros, "recebidas em dação por recuperação de créditos adquiridos pela sociedade".

 

A Parvalorem já tem, nas contas, uma imparidade de 27.364.000 euros, "apurada a partir da média entre o valor máximo e o valor mínimo de venda estimado por um avaliador internacional independente". Ou seja, neste momento, a empresa espera receber 37 milhões de euros com a alienação das obras. Estes são os montantes registados no relatório e contas de 2014 e 2015.  

 

"No exercício de 2015, foi efectuada uma análise de sensibilidade ao mercado das obras de arte, onde se verificou que a evolução registada na Europa e nos EUA, em 2014 e 2015, não indica qualquer perda de profundidade no mercado em relação a 2013, motivo pelo qual o montante da imparidade registado não sofreu alteração face a 2014 e 2015", justifica o relatório.

 

Sem qualquer pagamento do Estado à Parvalorem, sociedade que tem como missão recuperar os créditos tóxicos do BPN (e portanto, uma missão limitada), o dinheiro a recuperar da nacionalização do banco reduz-se no montante das obras. 

Ver comentários
Outras Notícias