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Grécia fica ou não no euro? Investidores ainda divergem

Avalanche de consequências é tremendamente difícil de calcular. Mas há quem assuma como certo que, se for impossível uma coligação de governo comprometida com as reformas acordadas com a troika, a saída da Grécia do euro começará a acontecer no dia seguinte ao das eleições de 17 de Junho.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Maio de 2012 às 14:07
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À medida que se aproxima a data das novas eleições legislativas de 17 de Junho e se confirma a possibilidade de um renovado impasse na formação de um Governo ou de uma coligação contrária às medidas acordadas pelo anterior com a troika, bancos de investimento e gestoras de fundos aceleram a divulgação de estudos em torno da eventualidade da Grécia sair do euro. Mas a probabilidade que atribuem a este desfecho ainda oscila consideravelmente.

Dois dos maiores bancos do mundo, o Goldman Sachs e o UBS, colocam a fasquia abaixo dos 50%, dando grande ponderação ao argumento de que o abandono grego faria mergulhar toda a união monetária numa tremenda zona de incerteza, económica e política, pelo que será evitado a todo o custo. Já o Standard Chartered e o Citigroup assumem a saída da Grécia como seu “cenário central”, ou seja, ao qual atribuem maior probabilidade de concretização.

Numa nota hoje divulgada, o Standard Chartered escreve que a Grécia irá provavelmente sair da união monetária e que dois dos impactos mais imediatos serão uma desvalorização do euro, para a casa dos 1,18 dólares, e um agravamento da conjuntura recessiva em toda da região.

Embora admita a possibilidade de o abandono grego ser seguido por o de outros países – o que, estima, conduziria ao repetir da grande crise de 2008-2009 e a uma nova queda do euro (1,15 dólares ainda no final deste trimestre e quebra da paridade até ao fim do ano) – o banco de investimento considera esse cenário remoto, antecipando que a saída grega seja seguida de um reforço dos mecanismos de protecção em torno dos países mais vulneráveis a um contágio, como é o caso de Portugal.

“Na nossa perspectiva, o BCE irá responder à saída da Grécia com uma flexibilidade monetária significativa, através de cortes nas taxas [de juro] mas também de uma política menos ortodoxa”.

O Citigroup, por seu turno, subiu já na semana passada para a fasquia de 50% a 75% a probabilidade de a Grécia sair do euro, seguindo uma linha de raciocínio idêntica ao do Intensa Sampaolo, que receia que a esquerda radical grega tenha "sobrestimado a margem de renegociação e pressionado no sentido de um 'modus operandi' inaceitável que acabou por forçar a Europa a uma postura mais rígida". Neste contexto, Sergio Capaldi, economista do banco italiano, acredita que o mais provável será a saída do euro, desfecho que, antecipa, será evitado para outros países e que "no longo prazo pode até reforçar a confiança no euro".


Custos sobrestimados?

Nick Dewhirst, CEO da Integral Asset Management, disse também hoje, em entrevista à CNBC, estar convencido da saída da Grécia do euro, acreditando que esta se consumará no dia seguinte às eleições de 17 de Maio, em especial se o resultado inviabilizar o prosseguimento do programa de ajustamento acordado com os credores internacionais.

Em sua opinião, uma Zona Euro sem Grécia e uma Grécia sem euro seria o desfecho mais benigno para ambas as partes. “Os gregos deixariam de poder comprar carros alemães e os alemães poderiam comprar ‘villas’ na Grécia e os jovens desempregados gregos poderiam ter emprego à medida que o turismo floresce”. O país ganharia um instrumento de ajustamento, com uma moeda paralela - Dewhirst refere-se ao “geuro”, designação já mencionada num estudo do Deutsche Bank, com a nova moeda a valer metade, mas com paridade fixa, face ao euro – e os custos para a Zona Euro seriam “mais comportáveis” e o processo mais ordeiro do que se têm aventado.

“É verdade que pode haver uma corrida aos bancos, mas há mais dinheiro electrónico do que em numerário”, refere, lembrando que a conversão poderia fazer-se num dia, ao mesmo tempo que o “clube reforçaria as defesas em torno dos membros mais vulneráveis – Espanha, Itália, Irlanda e Portugal – que receberão mecanismos de apoio massivos”.

Diferente opinião tem o Goldman Sachs, que aposta mais num cenário em que um novo Governo grego hostil às medidas da troika fique temporariamente sem fundos até que num renovado consenso com os credores (UE e FMI) seja cimentado. Nesse lapso, o BCE continuaria a fornecer alguma liquidez à banca grega. “ A saída da Grécia poderia reduzir a taxa de crescimento da economia real em dois pontos percentuais”, calcula o banco, assumido que esse impacto e toda a incerteza que o processo geraria levarão os decisores políticos a preferirem sempre manter a Grécia a bordo.

Também o UBS tem como cenário central a permanência da Grécia na Zona Euro, assumindo, em simultâneo, que tal tornará “inevitável” uma segunda reestruturação da dívida do país, que recentemente foi perdoada em mais de 50% na parte detida por bancos e instituições privadas, o que significou um abatimento de mais de 100 mil milhões de euros a um total que rondava os 360 mil milhões.

Num cenário em que se perdoasse um terço da actual dívida pública grega, calcula o banco suíço, isso significaria custos directos acrescidos de 60 mil milhões de euros (o equivalente a 0,5% do PIB da Zona Euro). Já no cenário de a Grécia sair do euro, o que para o UBS é menos provável, os custos a suportar por bancos e contribuintes europeus seriam quase quatro vezes superior: 225 mil milhões de euros.



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