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Groupama mais optimista para as empresas do que para os Estados em 2011

A Groupama Asset Management prevê uma desaceleração do crescimento mundial em 2011 devido às políticas de austeridade nos países desenvolvidos. Mas diz que a saúde das empresas estará melhor do que a dos Estados que acumularam vastas dívidas desde 2008. Portugal, por seu lado, continua a suscitar pessimismo.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 14 de Dezembro de 2010 às 17:00
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A gestora de activos Groupama Asset Management está optimista em relação ao desempenho das acções europeias em 2011, mas mantém-se prudente.

Segundo a Groupama, numa nota de análise citada pela Reuters, as empresas estão com uma saúde melhor do que a dos governos que acumularam fortes dívidas desde 2008 e no próximo ano os lucros do sector empresarial deverão continuar a subir.

Marie-Pierre Peillon, responsável pela análise financeira da Groupama, sublinhou a boa saúde das empresas não financeiras. E acrescentou, citada pela Reuters, que os lucros destas empresas na Zona Euro deverão crescer em torno de 10%. Mais modestamente do que este ano e em 2009 mas, ainda assim, em terreno positivo.

“A boa saúde das empresas confere atractividade às acções e, em menor medida, ao crédito”, referiu por seu lado um outro estratega da Groupama, Phillipe-Henri Burlisson, acrescentando que, nos últimos dois anos, as obrigações das empresas foram a “classe de activos reinante”, mas que agora a sua atractividade está a marcar passo.

Para este especialista, as acções encerram um potencial altista. Os índices bolsistas europeus, actualmente quase inalterados – alguns mesmo ligeiramente abaixo – face aos níveis do início do ano, não reflectem a situação das empresas, sobretudo as que estão expostas aos países emergentes, que continuarão a ser os motores do crescimento mundial, salientou Burlisson, citado pela Reuters no “website” francês “Investir”.

Cautela perante a dívida soberana

No que diz respeito à dívida soberana na Zona Euro, a Groupama mantém prudência, na expectativa de “decisões políticas difíceis”.

A Groupama decidiu, assim, atribuir uma recomendação de “underweight” para as dívidas soberanas da Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, e uma recomendação de “neutral” para as da Áustria, Finlândia e França.

Por outro lado, a gestora de activos coloca a dívida de Itália, Alemanha e Holanda em “overweight”.

Para Laurent Berrebi, responsável pelo “research” económico da Groupama, o crescimento europeu será sustentado pela Alemanha, que deverá registar uma expansão de 2% em 2011.

“Em contrapartida, em França o crescimento deverá recuar para 1% (...), ao passo que os países periféricos (Grécia, Portugal e Espanha) deverão voltar a mergulhar na recessão”, acrescentou o mesmo responsável, citado pela Reuters.

Para o conjunto da Zona Euro, Berrebi estima que os planos de austeridade orçamental deverão retirar cerca de um ponto percentual ao crescimento, devendo este passar de 1,6% em 2010 para 0,6% em 2011.

Recessão em Portugal no próximo ano?

Mas não é apenas a Groupama que fala em recessão. No final de Novembro, o Banco de Portugal aludiu a essa hipótese, que é também prevista por instituições como o FMI, Comissão Europeia e OCDE.

Entretanto, Emilie Gay, especialista do departamento europeu na Capital Economics, prevê “que Portugal precise de ajuda externa no próximo ano”, apesar dos esforços recentes por parte do BCE para que isso não suceda.

A estratega, citada pela Dow Jones Newswires, justifica esta visão com quatro argumentos. Em primeiro lugar, diz, é provável que o BCE não deseje ou não possa atenuar as pressões que estão a ser exercidas sobre os rendimentos dos Estados periférios da Zona Euro.

Além disso, a economista duvida das capacidades do governo português para sanaear as suas finanças públicas.

Terceiro elemento: “apesar de os bancos portugueses estarem em melhor posição do que os seus homólogos irlandeses, continuam vulneráveis”, afirma Emilie Gay, citada pela Dow Jones.

Por último, a economista prevê que Portugal entre de novo em recessão no próximo ano. Segundo esta responsável da Capital Economics, mesmo que o crescimento português atinja 1,5% este ano, será limitado em 2011 pelas novas medidas orçamentais e pelo abrandamento da procura mundial.

“Existem riscos de que Portugal não atinja o seu objectivo de redução do défice público este ano e uma grande parte das suas dívidas atingem a maturidade entre Janeiro e Abril. O pior está ainda para vir”, conclui Emilie Gay no seu relatório.

A economista relembrou também que a agência de notação financeira Fitch cortou o “rating” da Irlanda em três níveis na passada quinta-feira, de ‘A+’ para ‘BBB+’, e alertou para a possibilidade de Portugal poder em breve sofrer o mesmo destino.

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