Política Monetária Guindos admite que nomeação para BCE representa reconhecimento para Espanha

Guindos admite que nomeação para BCE representa reconhecimento para Espanha

O ministro espanhol Luis de Guindos considerou hoje que a nomeação para a vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE) supõe um reconhecimento para a recuperação de prestígio de Espanha na União Europeia.
Lusa 19 de fevereiro de 2018 às 18:25

"Supõe um certo reconhecimento. Quando perdemos a representação, em 2012, a situação era muito diferente, a reputação de Espanha era outra. Agora, crescemos, a inflação caiu, o emprego aumentou. Creio que a Espanha, desse ponto de vista, recuperou muito prestígio nos meios comunitários e este é um posto importante. O BCE é a instituição mais importante dentro da união monetária", disse o ministro da Economia espanhol, referindo-se ao facto de não haver um espanhol no conselho de administração do BCE há seis anos.

 

Luis de Guindos, que anunciou que "nos próximos dias" irá apresentar a sua demissão ao presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, falava aos jornalistas após ter sido formalmente designado, pelos ministros das Finanças da zona euro, reunidos hoje em Bruxelas, para suceder a Vítor Constâncio na vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE).

 

"Para mim, é um desafio. Encaro-o com humildade, com vontade de aprender, como sempre fiz e estou convencido que sempre farei", enalteceu.

 

O ministro espanhol agradeceu ainda a Mariano Rajoy, aos "colegas" do Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), e ao ministro das Finanças irlandês, Paschal Donohoe, que anunciou hoje, à entrada da reunião do Eurogrupo, o abandono da candidatura do governador do banco central irlandês, Philip Lane.

 

"Teve palavras muito amáveis comigo. O senhor Lane era um grande candidato e continua a sê-lo para o futuro. Estou convencido que tentaremos fazer o melhor possível [no BCE] e que Espanha possa contribuir muito", frisou.

 

De Guindos, que hoje não participou na reunião dos ministros da zona euro, depois de ter acordado com o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, que seria o "lógico" por ser um dos candidatos", defendeu que a sua nomeação para a vice-presidência do BCE não politizará a entidade.

 

"Como disse o senhor [Pierre] Moscovici [comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros], todos éramos [candidatos] perfeitamente legítimos. Eu tenho experiência no âmbito da política económica, nomeadamente no sector financeiro. Sempre defendi a independência. Deixarei de ser ministro nos próximos dias, e além disso, a independência do BCE está garantida pelos estatutos e pelo mandato que tem", concluiu.

 

Os ministros das Finanças da zona euro, reunidos em Bruxelas, apoiaram hoje a designação do ministro espanhol Luis de Guindos para suceder a Vítor Constâncio na vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE).

 

Com a 'luz verde' de hoje do Eurogrupo, anunciada por Mário Centeno na sua conta na rede social Twitter, o Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) deverá adoptar formalmente esta terça-feira a recomendação para o Conselho Europeu, composto pelos chefes de Estado e de Governo da UE, que consultará então o Parlamento Europeu e o Conselho de Governadores do BCE, devendo adoptar a sua decisão final na cimeira de 22 e 23 de Março próximo.

 

Luis de Guindos, que ficou com o caminho aberto para a vice-presidência do BCE depois de a Irlanda ter retirado, já hoje, a candidatura do governador do banco central irlandês, Philip Lane, deverá iniciar o seu mandato de oito anos em 01 de Junho, data em que sucederá a Constâncio, que ocupa o cargo desde Junho de 2010.




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