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Há ajustes "que têm de ser feitos" em mega-agrupamentos, diz ministro da Educação

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirmou esta sexta-feira, em Coimbra, que há ajustes "que têm de ser feitos" em alguns mega-agrupamentos e que o Executivo está a trabalhar para que tal aconteça.

Tiago Brandão Rodrigues - Educação: O bioquímico e investigador na área de oncologia na Universidade de Cambridge tornou-se aos 38 anos um dos mais jovens e… desconhecidos a assumir o Ministério da Educação. A relevância da pasta e as profundas mudanças introduzidas logo no início do mandato, como na avaliação dos alunos, conferem já a este minhoto uma razoável notoriedade espontânea (1,8%) e uma avaliação que, apesar de equilibrada, pende mais para a nota positiva (7%) do que negativa (6,2%).
Miguel Baltazar
Lusa 30 de Setembro de 2016 às 22:09
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"Se [o modelo] funcionou para todos? Não. Se há ajustamentos que têm de ser feitos? Indubitavelmente. Se estamos a trabalhar para que isso aconteça? Não há nenhuma dúvida", afirmou o ministro da Educação, que falava durante o debate "A Educação na Europa. A Europa na Educação", na Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra.

 

Tiago Brandão Rodrigues respondia a uma pergunta do moderador sobre mega-agrupamentos, depois de o deputado europeu Marinho e Pinto ter questionado, durante o debate, se este tipo de modelo respondia aos problemas dos alunos e se era funcional.

 

De acordo com o ministro da Educação, os agrupamentos "foram uma opção de organização" adoptada e que a própria OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) "indica este modelo como o modelo de referência".

 

No entanto, num território "tão desigual", em que há meio urbano "de diferente configuração, meio suburbano e meio rural", o modelo implica "necessariamente alguns ajustamentos". "Estão indicados como uma forma de organização que funcionou para alguns aspectos" do sector educativo, constatou o ministro.

 

No debate, moderado por António Perez Metelo, Marinho e Pinto, bem como a deputada do CDS Ana Rita Bessa apontaram alguns problemas no sector.

 

Para o deputado europeu, há hoje "facilitismo" e uma "degradação da qualidade do ensino", "grande parte do tempo do professor é feito com tarefas administrativas" e não encontra qualquer contributo do ensino para a cidadania e para formar pessoas com "capacidade de exigir e de dialogar".

 

Já Ana Rita Bessa sublinhou o trajecto positivo de Portugal neste sector, ao longo das últimas décadas. No entanto, os resultados foram obtidos numa "circunstância" em que diferentes governos vão fazendo alterações no sistema, sem que haja algum tipo de consensos, notou.

 

As alterações, face aos resultados, "não matam, mas moem", sendo necessário "garantir estabilidade" e contenção de "ímpetos reformistas", defendeu a deputada centrista.

 

"A inacção dos aparentes e falsos consensos é muito grave. Temos de nos afastar deles. O que aconteceu com este Governo foi voltar às boas práticas", que tinham sido interrompidas pelo anterior Governo, respondeu Brandão Rodrigues.

 

Dirigindo-se a Marinho e Pinto, o ministro da Educação considerou que a "ideia de que no meu tempo é que era bom, é uma ilusão facilitista". "O nosso maior desafio é não deixar ninguém para trás. Podíamos elitizar, mas já não era um serviço nacional de educação", realçou.

 

O debate em que o membro do Executivo socialista participou insere-se no ciclo de dez iniciativas por parte da Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus para assinalar os 30 anos de integração de Portugal na União Europeia.

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