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Há cada vez menos empresas a pensar investir

Em média, os empresários portugueses estão mais optimistas sobre a evolução do investimento para este ano, mas ao mesmo tempo são cada vez menos as empresas que investiram ou estão a pensar em investir.

Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 09 de Julho de 2014 às 12:08

Segundo os dados publicados esta quarta-feira, 9 de Julho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), nos últimos três anos o número de empresas dispostas a investir caiu significativamente. Em 2012, 86,5% do total tinha investido ou pensava investir nesse ano. Dois anos depois, em 2014, essa percentagem caiu para 77,3%.

 

Este número contrasta com as previsões mais optimistas dos empresários para este ano, que esperam agora um avanço de 2,4% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), quando no inquérito anterior, realizado em Outubro, estimavam uma evolução mais lenta (1,1%). Como se conciliam estes dois valores?

 

Os números do INE dão algumas pistas sobre as razões para esta aparente contradição. Para começar, parece existir uma clara divisão entre empresas grandes e pequenas. Os melhores resultados esperados para este ano devem-se essencialmente a empresas de maior dimensão. Para o já referido crescimento de 2,4%, as empresas com mais de 500 trabalhadores dão um contributo positivo de 4,1 pontos percentuais, enquanto aquelas que têm entre 250 a 500 trabalhadores ajudam com mais 0,8 pontos. No entanto, se olharmos para os dois escalões mais baixos - menos de 50 trabalhadores e 50 a 249 trabalhadores – os contributos passam a ser negativos, de -2,3 e -0,1 pontos, respectivamente.

 

Uma análise por sectores de actividade também mostra essa diferença. Dos treze sectores em que o INE divide a economia, apenas quatro esperam uma evolução positiva do investimento. São eles: captação, tratamento e distribuição de água; saneamento, gestão de resíduos e despoluição (44,8%); transportes e armazenagem (25,5%); actividades de informação e comunicação (7,6%); e actividades administrativas (10,7%).

 

Os outros nove sectores antecipam mais um ano negativo em termos de investimento, com destaque para a construção (-23,8%) e a restauração e alojamento (-23,9%).

 

Estas conclusões fazem parte do Inquérito de Conjuntura ao Investimento, divulgado pelo INE. A publicação questiona quase 3.600 empresas sobre as suas perspectivas e intenções em investimento para este ano e em relação ao anterior. Neste caso, o inquérito foi realizado entre 1 de Abril e 30 de Junho.

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