Economia Henrique Chaves demite-se do Governo por falta de «lealdade e de verdade» de Santana

Henrique Chaves demite-se do Governo por falta de «lealdade e de verdade» de Santana

O ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, Henrique Chaves, demitiu-se hoje do Governo acusando o primeiro-ministro, Santana Lopes, de falta «de lealdade e de verdade».
Negócios 28 de novembro de 2004 às 18:24

O ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, Henrique Chaves, demitiu-se hoje do Governo acusando o primeiro-ministro, Santana Lopes, de falta «de lealdade e de verdade».

O pedido de demissão foi entregue cerca das 15h00, na residência oficial do primeiro-ministro, disse à Lusa fonte próxima do ministro. Em Vila Real, Santana Lopes, confrontado pelos jornalistas com a demissão limitou-se a referir: «não vou fazer nenhum comentário».

Henrique Chaves tomou posse em Julho como ministro Adjunto com o XVI Governo Constitucional, liderado por Pedro Santana Lopes, tendo sido afastado do cargo na quarta-feira, numa mini-remodelação governamental em que passou a assumir a pasta da Juventude, Desporto e Reabilitação, áreas que já tutelava.

«Convidado para Ministro Adjunto, nunca me foi dada oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo, própria das funções inerentes a esta pasta», pode ler-se no comunicado entregue hoje na redacção da Agência Lusa.

O ministro demissionário acrescenta, ainda, que «estando as principais funções de Ministro Adjunto exclusivamente dependentes do Primeiro Ministro, só a este cabe a responsabilidade de conceder, ou não, as condições para o exercício desse cargo», o que, no seu caso, «nunca aconteceu».

Henrique Chaves, que não pretende de momento prestar mais declarações, responsabilizou, no referido comunicado, o primeiro- ministro pela sua demissão, acusando-o de «grave inversão dos valores da lealdade e verdade» e revelou já ter tido intenções de se demitir na altura da remodelação (quarta-feira).

No entanto, afirma ter cedido aos pedidos feitos em nome da «índole patriótica» e da «instabilidade interpretável como irregular funcionamento das instituições», bem como ter tido a garantia de que «a remodelação resultaria de uma pressão de véspera, alegadamente por quem, para tanto, tem poder institucional».

No comunicado, Henrique Chaves alega «dois factos novos» que levaram à decisão de se demitir: «em primeiro lugar, tenho hoje a certeza que o cenário que me foi apresentado como sendo de véspera à noite fora, afinal, delineado semanas antes. Em segundo lugar, um dia depois, foi-me comunicada a intenção, de se proceder à demissão de um outro ministro».

«Os dois factos referidos consubstanciam, para mim, o primeiro a constatação de que me faltaram à verdade, de uma forma muito grave, que não posso tolerar e com a qual não posso conviver, e o segundo, não só isso, mas também que, afinal, a saída de qualquer ministro não acarretaria, como consequência necessária, no contexto das pressões institucionais havidas, o irregular funcionamento das instituições», lê-se, ainda, no comunicado.

Na hora da saída, Henrique Chaves agradeceu aos seus dois secretários de Estado, Hermínio Loureiro e Pedro Duarte, que deveriam ter tomado posse no sábado e acabaram por não o fazer.