Economia Hollande equilibra contas com plano de austeridade de esquerda

Hollande equilibra contas com plano de austeridade de esquerda

O presidente francês anunciou um plano de austeridade e reformas económicas com que pretende relançar o país para um novo ciclo de crescimento. Hollande quer poupar 33 mil milhões por ano e pediu aos sindicatos para flexibilizar as leis laborais.
Hugo Paula 10 de setembro de 2012 às 12:11
François Hollande apresentou o plano de austeridade com que prevê reequilibrar as contas, reduzindo o défice em 33 mil milhões de euros para 3% do PIB. O esforço será distribuído pela contenção da despesa e aumento de impostos sobre privados e empresas.

As medidas de austeridade destinam-se a cumprir a redução do défice dos 4,5% previstos para este ano para 3,0%, no próximo, e apesar da revisão em baixa do crescimento antecipado para economia francesa em 2013. A anterior previsão que apontava para um crescimento de 1,2%, no próximo ano, foi revista para 0,8%.

O jornal francês “Le Monde” diz que este é um plano “histórico” de “austeridade de esquerda”. Para reduzir a despesa em 10 mil milhões de euros, o presidente francês ordenou o congelamento dos gastos em todas as áreas do Estado, com excepção para a Educação, a Justiça e a Segurança.

O esforço será repartido entre aumento dos impostos sobre os rendimentos mais elevados, congelamento das despesas públicas em todas as áreas excepto na Educação, Justiça e Segurança e agravamento dos impostos sobre os lucros não reinvestidos pelas empresas.
O presidente francês espera conseguir poupar 10 mil milhões de euros e aumentar a colecta fiscal em 20 mil milhões de euros: 10 mil milhões provenientes das empresas e outros 10, das famílias, segundo os dados citados pela Bloomberg.

Hollande desafia sindicatos

Neste contexto, as alterações ao código laboral revestem-se de maior importância já que esta é uma área em que o Governo francês poderá tomar medidas para promover o crescimento da economia. Hollande comprometeu-se a recuperar o crescimento económico em dois anos e pediu aos sindicatos que participem no esforço, permitindo que as negociações cheguem a bom porto. As medidas que estão em discussão com os sindicatos e patrões tem a finalidade de aumentar a flexibilidade das empresas, fomentando a sua competitividade face ao exterior e potenciando o crescimento, com vista a aumentar o emprego. Mas em contrapartida, no acordo, até poderá haver um reforço da segurança contra o despedimento.

“Se este compromisso histórico for alcançado até ao final do ano, esta reforma receberá força de lei”, disse Hollande na entrevista citada pela Bloomberg. “Mas se os parceiros não concordadem, então lamento, mas o Estado vai assumir as suas responsabilidades”, afirmou.




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