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Hora de espremer a laranja

Os social-democratas voltam a juntar-se este fim-de-semana para uma reunião magna em Mafra, com "barões" e "bases" em expresso desejo que anteceda o regresso do partido ao poder. Os três candidatos à presidência já começaram a descascar a "laranja". Quem beberá o sumo da liderança a 26 de Março?

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 12 de Março de 2010 às 18:37
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Os social-democratas voltam a juntar-se este fim-de-semana para uma reunião magna em Mafra, com "barões" e "bases" em expresso desejo que anteceda o regresso do partido ao poder. Os três candidatos à presidência já começaram a descascar a "laranja". Quem beberá o sumo da liderança a 26 de Março?

Na estatística partidária não há quem bata o PSD: nos 36 anos que passaram desde a sua fundação, então com a designação PPD (Partido Popular Democrático), os social--democratas já tiveram 16 presidentes e preparam-se para realizar o 32º Congresso. Não há outro partido no panorama português com tal profusão e prodigalidade de lideranças e reuniões magnas. Nem com tamanha indefinição ideológica, apontada pelos analistas como a causa maior da constante agitação no seio laranja, em especial no passado mais recente.


Este fim-de-semana, em Mafra - menos de dois anos depois da entronização de Manuela Ferreira Leite -, o PSD volta a discutir o que é afinal e por que caminho quer prosseguir a sua história. Dentro de precisamente duas semanas, as bases do partido vão escolher o 17º líder da história do partido e, em mais ou menos secreto desejo seu, talvez também o próximo primeiro-ministro de Portugal.



A reunião extraordinária convocada por requerimento de Pedro Santana Lopes com a assinatura de 2.500 militantes, não tem na ordem de trabalhos qualquer acção de campanha para as próximas eleições. Todavia, ninguém (nem o próprio Alberto João Jardim, que chegou a sugerir o encontro à porta fechada) tem ilusões de que o palco estará reservado nos dois dias para uma disputa pelo aplauso militante "numa espécie de primárias", como aludia há dias fonte de uma das candidaturas.



A análise da situação política nacional ficará para segundo plano, exceptuando críticas unânimes ao Governo socialista e a (quase) líder cessante Ferreira Leite será absolvida pelos delegados, apesar do insucesso em plano geral da primeira liderança social-democrata no feminino. A desviar do eleitoralismo interno estará apenas a discussão e a votação das propostas de alteração estatutária, que propõem mudanças ao processo eleitoral e a concessão de maior poder às "bases".



Três nomes vão pairar sobre todas as intervenções: Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar-Branco. E em dose tripla - secundados pela voz de apoios já anunciados [ver páginas seguintes] e outros a declarar - vão falar sobretudo ao coração e ao ouvido sensível dessas "bases", depois de passarem a pré-campanha a analisar o País que desejam governar, se agravada a convulsão política.


Em antevisão, Aguiar-Branco ensaiou o discurso para militante-ouvir, dizendo esperar que os social-democratas encontrem neste Congresso uma "dinâmica de grupo" e um "suplemento de alma", afastando exercícios de ajustes de contas. "Vai restabelecer a ligação do PSD com o País", explicita Rangel, abrindo mais a lente aos acontecimentos esperados.


"É difícil o País saber com o que conta do PSD quando ele está envolvido num processo eleitoral", reconheceu há dias Passos Coelho. Evidenciava não só a delicadeza do momento interno, mas sobretudo a importância da definição da orientação económica do partido, em especial numa altura em que a laranja volta a cheirar o poder. Um odor intenso que não sente há muitos anos: governou apenas dois anos e meio nos últimos quinze. Tal como acontecia em 2008, a afirmação de um discurso político-económico consistente, e diferenciado do traçado pelos socialistas, volta a ser, porventura, o maior desafio para o próximo líder.

Mais estórias para juntar ao histórico?



Os Congressos do PSD não ficaram para a história partidária nacional apenas pela abundância, mas também pelos episódios e "soundbytes" que ascenderam ao monte Olimpo da política. Desde a rodagem do carro que Cavaco Silva foi fazer à Figueira da Foz em Maio de 1985, quando partiu como "outsider" e arrebatou a liderança do partido que só deixaria dez anos depois a Fernando Nogueira, até à mais recente promessa de Santana Lopes de "andar por aí" após a "débacle" governativa e eleitoral de 2004 e 2005. Este fim-de-semana, a história do PSD volta a escrever-se em Mafra, e sublinhada a negrito caso surja uma candidatura surpresa, reclamada por alguns e aguardada em segredo por muitos mais, de Marcelo Rebelo de Sousa.


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