Economia Impasse de última hora impede aprovação de ajudas pelo Senado dos EUA

Impasse de última hora impede aprovação de ajudas pelo Senado dos EUA

A urgência proclamada por quase todos na aprovação das medidas foi confrontada com a tentativa de quatro senadores republicanos de introduzirem alterações de última hora. 
Impasse de última hora impede aprovação de ajudas pelo Senado dos EUA
Reuters
Lusa 26 de março de 2020 às 01:00
Os líderes republicano e democrata no Senado norte-americano estão a procurar resolver um impasse de última hora, que está a impedir a aprovação de um conjunto de medidas destinadas a empresas, trabalhadores e sistemas de saúde afetados pela covid-19.

As propostas em cima da mesa envolvem um financiamento inédito de dois biliões de dólares (1,8 biliões de euros), montante que as torna o maior conjunto de apoios da história dos EUA.

A intenção é aliviar uma economia que está a evoluir para uma recessão, ou pior, e uma nação que enfrenta um custo pesado de uma infeção que já provocou 20 mil mortes a nível mundial.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, questionado sobre qual o período de tempo que a economia se manteria à tona de água (sem entrar em recessão), graças às medidas, respondeu: "Antecipamos três meses. Mas esperamos não precisar disto (as medidas) tanto tempo".

A evidenciar a dimensão do conjunto de meios envolvidos, o financiamento das medidas é igual a metade do orçamento anual federal.

Mas a urgência proclamada por quase todos na aprovação das medidas foi confrontada com a tentativa de quatro senadores republicanos de introduzirem alterações de última hora.  Segundo o seu argumentário, a proposta legislativa que está para aprovação "incentiva os 'lay-offs'" e deve ser alterada para garantir que os trabalhadores não ganhem mais dinheiro em 'lay-off' do que a trabalhar.

Uma situação de 'lay-off corresponde a uma redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efetuada por iniciativa das empresas, como a define a Segurança Social portuguesa.

Em reação a esta pretensão dos republicanos, o senador independente Bernie Sanders, que está a disputar a nomeação presidencial pelos democratas, garantiu que bloquearia a aprovação da proposta se os republicanos não abandonarem as suas pretensões. "O que estou a dizer é que o mesmo jogo pode ser jogado por dois", disse Sanders, em declarações à AP.

Segundo um comunicado que colocou na sua página do Facebook, Sanders disse que estava pronto para "impor fortes condições ao fundo de 50 mil milhões de dólares para o bem-estar empresarial".

O senador eleito pelo Estado do Vermont detalhou que qualquer empresa que tivesse acesso a este fundo "não poderia colocar trabalhadores em 'lay-off', reduzir salários ou benefícios, transferir empregos para o estrangeiro ou pagar salários de pobreza".

No mercado bolsista, cujos principais índices fecharam hoje com um segundo dia consecutivo de ganhos, o que não acontecia há meses, foram perdendo força à medida que a sessão avançava e a aprovação do pacote de auxílios ia sendo sucessivamente adiada, devido a este impasse.

Wall Street está 27% abaixo dos recordes que fixou há um mês.

Se, e quando for aprovado pelo Senado, o conjunto de propostas segue para a Câmara dos Representantes, onde também terá de ser aprovado, antes de seguir para o presidente, para este assinar.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.




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