Conjuntura Importações de bens crescem mais do que as exportações há sete meses consecutivos

Importações de bens crescem mais do que as exportações há sete meses consecutivos

As importações continuam a crescer mais do que as exportações no arranque de 2019.
Tiago Varzim 09 de abril de 2019 às 11:11
As exportações de bens aumentaram 4,6% em fevereiro deste ano face ao mesmo período de 2018 enquanto as importações cresceram 12,8%. Os dados foram divulgados esta terça-feira, 9 de abril, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Olhando para o trimestre terminado em cada mês (média dos últimos três meses), as compras ao exterior estão a crescer mais do que as vendas há sete meses consecutivos.

Em janeiro, as importações tinham disparado 16,6% - o maior crescimento percentual desde junho - à boleia da compra de aviões e as suas partes. Já as exportações cresceram 4,1%, continuando a desacelerar face ao mês anterior. Recorde-se que estes dados não são deflacionados, ou seja, não descontam a evolução dos preços dos bens importados e exportados.

Em fevereiro, as exportações aceleraram ligeiramente enquanto as importações desaceleraram face ao mês anterior, sendo que parte desta travagem pode estar relacionada com o facto de o mês ter menos dois dias úteis do que janeiro. No entanto, uma análise mais alisada dos números pode ser feita olhando para a média dos últimos três meses feita em cada mês. Nesse caso, as exportações cresceram 5,2% e as importações de bens 11,9%. 

Recuando nessa série estatística é possível concluir que desde agosto as importações estão a crescer mais em termos percentuais do que as exportações. Em volume tal também acontece uma vez que a base de compras ao exterior é maior do que a de vendas. Ou seja, no que toca a bens, em euros, Portugal compra mais do que aquilo que vende.
 

Défice comercial continua a engordar
Esta evolução do comércio internacional de bens tem contribuído para aumentar o défice comercial. Em fevereiro, o défice da balança comercial atingiu 1.504 milhões de euros, mais 504 milhões de euros do que no mesmo mês de 2018.

Olhando para o trimestre terminado em cada mês também é visível um contínuo agravamento do saldo comercial face ao mesmo período do ano passado. 

Excluindo os combustíveis e lubrificantes - uma categoria que historicamente é mais volátil por causa da variação dos preços -, a balança comercial atingiu um défice de 996 milhões de euros, correspondente a um aumento de 345 milhões de euros em relação a fevereiro de 2018.

Como mostram os gráficos do INE, a degradação do saldo comercial de bens tem sido constante desde 2016, mas pode haver boas razões: há indícios de que a subida dos preços, o efeito dos combustíveis (potencialmente temporário) e a compra de material para investimento (tendencialmente positivo para o crescimento da economia) estejam a provocar este aumento do défice comercial. 

Automóveis continuam a brilhar em Itália
As exportações portuguesas de automóveis, com destaque para o T-Roc produzido na Autoeuropa, para Itália dispararam em 2018 e continuam a crescer a bom ritmo no início de 2019. 


"Em fevereiro de 2019, tendo em conta os principais países de destino em 2018, destacam-se os acréscimos face a fevereiro de 2018, nas exportações para Itália (+30%) principalmente devido ao material de transporte (essencialmente, automóveis para transporte de passageiros)", nota o INE.

No global dos destinos de exportações, o material de transporte é a categoria que se destaca ao crescer 14,1%, seguido dos fornecimentos industriais com 6%. "Em sentido contrário, destaca-se o decréscimo nos combustíveis e lubrificantes (-32,6%), ainda justificado em parte pelas manutenções ocorridas nas refinarias nacionais", esclarece o gabinete de estatística. 

No caso das importações, há acréscimos em todas as principais categorias, mas o destaque vai também para o material de transporte, principalmente por causa da aquisição de aviões e suas partes, tal como tinha acontecido em janeiro. Este aumento das importações de aviões e suas partes deverá ser explicado, em parte, pela compra de peças para manutenção de aviões por parte da TAP, área de negócio da empresa que duplicou nos últimos dois anos. Em 2018, a TAP foi a quarta maior importadora de Portugal.

(Notícia atualizada às 11:45)




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