Ambiente Incêndios: Governo investe 2,5 milhões na plantação de folhosas em redor de aldeias do Pinhal Interior

Incêndios: Governo investe 2,5 milhões na plantação de folhosas em redor de aldeias do Pinhal Interior

O Governo vai investir 2,5 milhões de euros num projecto-piloto para substituir eucaliptos e pinheiros em redor de aldeias do Pinhal Interior.
Incêndios: Governo investe 2,5 milhões na plantação de folhosas em redor de aldeias do Pinhal Interior
Lusa 21 de fevereiro de 2018 às 17:40
O Governo vai investir 2,5 milhões de euros num projecto-piloto de plantação de folhosas de crescimento lento para substituir eucaliptos e pinheiros em redor de aldeias do Pinhal Interior, disse esta quarta-feira, 21 de Fevereiro, o secretário de Estado das Florestas.

"Queremos colocar as folhosas de crescimento lento em zonas de protecção em redor das aldeias", disse Miguel Freitas à agência Lusa, à margem de uma iniciativa de reflorestação realizada em Tondela, distrito de Viseu.

De acordo com o governante, o projecto inclui um apoio "durante cinco anos" aos proprietários florestais que optem pelas espécies de crescimento lento.

O projecto governamental vai ao encontro de uma das recomendações da comissão técnica independente que analisou os incêndios de Junho de 2017 na região Centro, a qual, no seu relatório, divulgado em Outubro, propunha a criação de um programa de promoção de uma floresta à base de carvalhos, castanheiros e outras espécies folhosas.

A comissão recomendava a opção por "modelos de silvicultura que utilizem espécies de crescimento mais lento", os quais "podem ser mais interessantes do ponto de vista da economia dos proprietários florestais", embora impliquem "um período de espera" de vários anos.

No texto, a comissão defendia a criação de um "programa específico que compense a perda de rendimento por alguns anos", com a opção por carvalhos, castanheiros e outras folhosas.

Por outro lado, o governante adiantou que o executivo pretende "substituir pinho por pinho" em áreas afectadas pelas chamas "onde não há regeneração natural" dos pinheiros, nomeadamente por as espécies serem jovens ou terem sofrido com incêndios "recorrentes" nos últimos anos.

"Nessas florestas onde já não há regeneração natural vamos substituir pinho por pinho de imediato", reforçou Miguel Freitas, adiantando que a opção passa por seleccionar as áreas "mais produtivas" de pinheiro.

Sobre a reflorestação de áreas ardidas, o secretário de Estado das Florestas defendeu a aposta na regeneração natural, mas avisou que só em 2019 será possível avaliar as áreas onde essa regeneração irá ocorrer.

"A regeneração natural pode dar origem a uma boa floresta. É a forma mais fácil e mais económica de fazer uma boa reflorestação, mas é de uma enorme exigência do ponto de vista técnico e de gestão", frisou Miguel Freitas.

Para que acções de médio e longo prazo tenham "continuidade", o governante disse que a floresta portuguesa necessita de um pacto de regime, considerando-o "uma questão nacional".

"Exige um pacto político, mas também um pacto social, e nós estamos a procurar que esse pacto exista", declarou Miguel Freitas.



pub