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Berlim e Bruxelas pedem à Grécia plano de reformas mais concreto e abrangente

Os mercados voltam a concentrar a sua atenção na Grécia, com as taxas de juro a subir e a bolsa a cair. Esta é a primeira sessão depois de a Fitch ter cortado o rating da Grécia em dois níveis.

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André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 30 de Março de 2015 às 12:02
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A Grécia ainda não entregou aos parceiros europeus uma lista de reformas suficientemente concreta e abrangente. Isto mesmo foi revelado pela Comissão Europeia e pelo Governo alemão esta segunda-feira, 30 de Março, que disse que ainda não há uma data marcada para o Eurogrupo discutir a Grécia.


O porta-voz de Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças de Angela Merkel, sublinhou que Atenas precisa de aprovar mais reformas para o Eurogrupo desembolsar dinheiro para o país. 

 

"A bola está no campo da Grécia", disse Martin Jäger. "Precisamos de esperar que o lado grego apresente uma lista abrangente de medidas em termos que possibilitem uma discussão com as instituições [troika] e, a seguir, com o Eurogrupo [ministros das Finanças do euro]", explicou, citado pela Reuters. "Muito depende" - acrescentou - "da qualidade da lista grega e desta incluir elementos que estavam referidos no memorando" assinado entre Atenas e os seus credores.

 

As conversações técnicas vão começar ao início da tarde em Bruxelas. O objectivo é a criação de um programa de reformas "credível e abrangente", disse Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia. "Ainda não chegámos lá", avisou durante a conferência de imprensa desta segunda-feira.

 

Na sexta-feoea, Atenas anunciara que tinha enviado a lista de reformas para Bruxelas. Uma alta fonte comunitária sublinhou, porém, ontem que a Grécia "apresentou apenas algumas ideias no fim-de-semana" e que as conversações técnicas dos dois últimos dias serviram para ajudar Atenas a preparar uma lista para apresentar formalmente hoje.

 

O grupo de trabalho da Zona Euro, constituído por membros dos ministérios das finanças dos Estados membros, deverá reunir-se via teleconferência na quarta-feira para discutir os desenvolvimentos.

 

Na Grécia, o primeiro-ministro Alexis Tsipras explica esta tarde (18h00 de Lisboa) no Parlamento as suas propostas de reformas. O Executivo de Alexis Tsipras garante que vai continuar a trabalhar para cumprir as suas propostas eleitorais. "O Governo não abandonou a sua intenção de tornar a dívida do país viável", disse o ministro-adjunto das Finanças, Dimitris Mardas.

 

"As soluções são conhecidas, seja através da redução do valor nominal da dívida ('haircut'), do reembolso a ser ligado a um aumento da produção ou das exportações, ou de taxas de juro mais baixas", apontou, citado pela Reuters.

 

Esta foi a bandeira eleitoral do Syriza para chegar ao poder, mas o Governo de Alexis Tsipras não tem falado publicamente sobre o assunto nas últimas semanas. 

 

Neste cenário de incerteza, os investidores voltam a concentrar a sua atenção em Atenas. A bolsa grega lidera as quedas na Europa e perde 1,01%, pressionada pelos principais bancos helénicos. O índice para a banca grega perde 3,43%, com o Alpha Bank (-4,33%) e Piraeus Bank (-4,12%) a liderarem as quedas, seguidos pelo Attica Bank (-3,51%), Eurobank (-3,09%) e National Bank (-2,70%).

 

O cenário é semelhante no mercado de obrigações soberanas. As taxas de juro da dívida soberana helénica estão em alta na sessão desta segunda-feira. A três anos, a taxa sobe 21,2 pontos para 20,776%. Já a taxa de juro de referência, a 10 anos, valoriza 13,4 pontos para 11,138%.

 

Esta é a primeira sessão depois da Fitch ter cortado o rating da Grécia em dois níveis. A "pressão extrema sobre o financiamento" causada pela "falta de acesso aos mercados, perspectivas incertas de desembolsos de instituições oficiais e condições apertadas de liquidez no sector bancário doméstico", foram as três razões para o corte da agência de notação financeiro.

 

 

(Título alterado às 15h30 e texto actualizado com novas declarações)

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