Conjuntura INE confirma crescimento de 2,7% no PIB do ano passado com empurrão do investimento

INE confirma crescimento de 2,7% no PIB do ano passado com empurrão do investimento

O PIB de 2017 registou o maior crescimento desde 2000. A procura externa líquida deu um contributo ligeiramente negativo, mas o investimento deu o empurrão que fez a diferença.
Margarida Peixoto 28 de fevereiro de 2018 às 11:05
A economia portuguesa cresceu 2,7% em 2017, confirmou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este foi o maior crescimento desde 2000 e contou com a ajuda determinante do investimento. A procura externa líquida, ou seja, o efeito das exportações deduzidas das importações, teve um comportamento ligeiramente negativo.

No ano passado, o contributo da procura doméstica aumentou muito face a 2016, tendo atingido os 2,9 pontos percentuais "devido à aceleração do investimento", explica o INE. O motor doméstico conseguiu assim compensar o contributo negativo para o crescimento da procura externa líquida. É que as vendas ao exterior subtraídas das compras acabaram por tirar 0,2 pontos percentuais ao crescimento do PIB.

Tanto as exportações como as importações cresceram 7,9%, mas a base de crescimento das compras ao estrangeiro é maior, pelo que não basta crescerem ao mesmo ritmo para evitar o desequilíbrio do saldo. Aliás, o resultado foi precisamente uma redução ligeira no excedente externo de bens e serviços, dos anteriores 1,1% do PIB, para 1%. Em 2016, o contributo da procura externa líquida para o crescimento tinha sido nulo.



Investimento em quê? Construção acordou

Comparando com 2016, o crescimento do investimento deu um salto assinalável. Se em 2016 tinha aumentado 0,8%, no ano passado a subida foi de 8,4%. Olhando apenas para a FBCF (a Formação Bruta de Capital Fixo), o aumento foi ainda mais expressivo: 9,1%.

Mas em que é que a economia portuguesa investiu mais? A maior diferença foi o crescimento do investimento em construção, máquinas e equipamentos, explica o INE. A FBCF em construção foi mesmo "a componente que mais contribuiu", lê-se no boletim, que dá conta de uma verdadeira inversão no sector: depois de ter caído 0,3% em 2016, a FBCF em construção aumentou 9,2% em 2017. 

Também o investimento em máquinas e equipamentos "acelerou significativamente" no ano passado, adianta ainda o organismo de estatísticas: saltou de um crescimento de 4,3% em 2016, para um ritmo de 13%. Por fim, o investimento em equipamento de transporte acelerou para 14,1% (dos anteriores 8,4%) e os produtos de propriedade intelectual passaram a uma subida de 0,3%, depois de uma quebra de 0,7%.



Desde 2008 que não havia tantos empregados remunerados

É preciso recuar a 2008 para encontrar um número mais elevado de trabalhadores com emprego remunerado. Os dados do INE mostram um aumento de 3,3% do emprego total em 2017, e de 3,4% caso se considere apenas o emprego com remuneração. Em termos absolutos havia no ano passado mais de quatro milhões de trabalhadores com remuneração e cerca de 4,8 milhões no total.

Estes dados vão ao encontro das melhorias do mercado de trabalho evidenciadas pela redução da taxa de desemprego. Ainda esta quarta-feira o INE revelou que a taxa de desemprego baixou em Janeiro da fasquia dos 8%, tendo recuado para 7,9%, o nível mais baixo desde 2004.

Quarto trimestre de 2017 mostra economia a bom ritmo

Vale a pena olhar apenas para o comportamento da economia no último trimestre do ano passado, para compreender o ritmo que a actividade leva para o início deste ano. 

Face ao terceiro trimestre de 2017, o PIB acelerou ligeiramente (cresceu 0,7%, em vez de 0,6%). Estes dados estão corrigidos de sazonalidade, indica o INE, pelo mostram uma boa sustentação do crescimento que não pode ser atribuído apenas a efeitos de calendário ou da época do ano.

No quarto trimestre a economia cresceu quase só à conta da procura externa líquida (o contributo foi de 0,6 pontos percentuais), já que naqueles três meses as exportações aceleraram mais (de 0,5% para 4,3%) do que as importações (de 1,2% para 2,9%). Já o contributo da procura interna para o PIB manteve-se positivo, mas bem menor: 0,1 pontos percentuais. Aqui o investimento desiludiu, com uma quebra de 0,4%, e o crescimento do consumo privado abrandou para 0,3%.

"Economia portuguesa está hoje mais sólida", diz o Governo

Em reacção aos dados publicados esta quarta-feira pelo INE, o Ministério das Finanças sublinha a solidez da economia portuguesa. Numa nota enviada às redacções, o gabinete do ministro Mário Centeno frisa que o "crescimento se insere num quadro de gestão criteriosa das contas públicas, de equilíbrio das contas com o exterior e de criação de emprego".

Na análise ao crescimento registado em 2017, o Executivo sublinha a "aceleração vigorosa" do investimento, e destaca as componentes de "equipamento de transporte (que aumentou 14,1%) e outras máquinas e equipamentos (que aumentou 13%)", sem referir a recuperação do investimento em construção.

As Finanças notam ainda o contributo "forte" das exportações para o crescimento do PIB e o facto de, com o resultado revelado hoje pelo INE, ser possível estimar a dívida pública num valor de 125,6% do PIB -- "4,3 pontos percentuais menos do que em 2016 e 0,6 pontos percentuais abaixo das estimativas do início do ano", frisam.

O Governo aproveitou ainda para sublinhar a melhoria do mercado de trabalho, lembrando que a taxa de desemprego baixou para 8% em Dezembro de 2017, "o valor mais baixo desde Julho de 2004" e notando a projecção de 7,9% do INE para Janeiro.

(Notícia actualizada pela última vez às 14:05)



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