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Instituto Kiel: Portugal pode ter de impor aos credores privados um perdão de 56% da dívida

Segundo o instituto alemão, Portugal terá de ter um excedente orçamental primário anual acima de 11% do PIB para conseguir impedir um descontrolo da espiral da dívida.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 27 de Janeiro de 2012 às 16:58
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O instituto alemão Kiel divulgou um relatório para a economia mundial, onde as perspectivas para Portugal são sombrias.

De acordo com o documento, citado pelo “The Telegraph”, Portugal terá de ter um excedente orçamental primário superior a 11% do PIB, anualmente para conseguir evitar que a espiral da dívida fique fora de controlo. Mesmo num cenário de crescimento anual de 2%, sublinha.

“A dívida de Portugal é insustentável. É a única conclusão possível”, diz David Bencek, co-autor do relatório do Kiel, citado pelo jornal britânico. Isto porque, salienta, nenhum país consegue um excedente orçamental primário acima de 5% durante muito tempo.

Recorde-se que o excedente orçamental primário exclui os juros da dívida pública. Portugal teve um excedente orçamntal em 2011 de 200 milhões de euros e conta ter um novo saldo posiitvo em 2012.

Ainda segundo o relatório do Kiel, Portugal poderá ter de pedir um “haircut” (perdão da dívida detida pelos privados) de 56% da dívida soberana para poder encarrilar o País num caminho sustentável se o crescimento de longo prazo for de 2% ao ano, ou então de 46% se a economia crescer anualmente 4%.

David Owen, do Jefferies, disse ao “The Telegraph” que alguns fundos tiveram de vender dívida pública de Portugal desde que o seu “rating” foi cortado para “lixo” pela agência de notação financeira Standard & Poor’s. “Esta venda forçada tem ainda muito caminho a percorrer. É precisamente o que aconteceu com a Grécia”, acrescentou.

Hoje, com os juros implícitos da dívida soberana portuguesa a atingirem máximos desde a entrada no euro, nalgumas maturidades, multiplicam-se os avisos, receios e advertências na imprensa internacional, que cita economistas e analistas de todos os quadrantes.

As “yields” das obrigações a três anos superaram os 21%, na maturidade a cinco anos excederam os 20% e no prazo a 10 anos foram superiores a 15%.

Segundo uma vasta maioria de comentadores, esta subida não reflecte apenas o corte de Portugal para “lixo” por parte da agência S&P mas também os receios crescentes de que o país tenha de pedir um segundo pacote de resgate.


De acordo com Owen, os investidores estão de facto preocupados com essa possibilidade, já que um segundo “bailout” reduzirá a dívida dos credores privados de Portugal para o estatuto de “júnior”, o que implica maiores perdas se o País precisar de proceder a uma reestruturação da dívida.

A dívida sénior, relembre-se, tem prioridade sobre todos os outros tipos de dívida quando chega a hora do reembolso.

Portugal pediu em Abril do ano passado ajuda financeira à troika – Comissão Europeia, BCE e Fundo Monetário Internacional – que lhe foi concedida e que está a ser atribuída em tranches. Do total de 78 mil milhões de euros deste resgate, 12 mil milhões destinam-se à recapitalização da banca.
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