Mercados Investidores procuram pistas sobre a próxima crise 10 anos após Lehman

Investidores procuram pistas sobre a próxima crise 10 anos após Lehman

"É algo que acontece a cada cinco ou sete anos", afirmou Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, ao explicar à filha o que é uma crise financeira. A rainha Elizabeth II perguntou "porque é que ninguém reparou" nas sementes da última crise.
Investidores procuram pistas sobre a próxima crise 10 anos após Lehman
Bloomberg
Bloomberg 13 de outubro de 2018 às 18:00

Abalados por não terem conseguido detectar a turbulência de há 10 anos e duas décadas depois da agitação nos mercados asiáticos, os responsáveis pelas políticas económicas, traders e economistas estão a olhar para o relógio enquanto se questionam quando e onde ocorrerá o próximo colapso.

 

O Fundo Monetário Internacional já alertou os investidores que podem estar a subestimar o risco de um choque financeiro.

 

No entanto, um dos axiomas da história financeira é que não existem duas crises iguais, então a procura concentra-se em potenciais gatilhos na economia e nos mercados mundiais. Um erro na política da Reserva Federal (Fed), como elevar os juros muito rapidamente ou por muito tempo, poderá abalar a economia dos EUA e atrapalhar mercados do mundo inteiro.

 

A seguir, um resumo dos possíveis pontos perigosos, inclusivamente alguns que talvez não imaginasse.

 

China

O crédito alimentou a rápida ascensão da China enquanto potência económica. Ultimamente, Pequim tem tomado medidas para desacelerar a taxa de crescimento da dívida corporativa, mas a dívida total fora do sector bancário continuou a crescer no ano passado e continua num caminho insustentável, de acordo com o FMI.

 

Mercados emergentes

Os aumentos das taxas de juros da Fed e o aumento do dólar repercutiram-se nos mercados emergentes porque tornaram mais difícil para as empresas que contraíram empréstimos em dólares pagar essas dívidas. A Argentina financiou-se em 57 mil milhões de dólares junto do FMI, o maior empréstimo da história do fundo, para conter a crise cambial do país. A lira turca afundou quando os investidores questionaram a capacidade do governo de Recep Erdogan de conter a inflação.

 

Dívida corporativa

O aumento da dívida privada tem sido a força motriz por trás do aumento constante da dívida global desde 1950, de acordo com o FMI. Na última crise, a dívida das famílias dos EUA foi a bomba-relógio. Os consumidores, desde então, apertaram os cintos, mas as empresas dos EUA compensaram.

 

Aproveitando os juros baixos e a forte procura, as empresas americanas emitiram quantidades recorde de dívida, elevando os principais índices de endividamento para patamares próximos dos mais altos em 30 anos, segundo Andrew Sheets, estratega-chefe de activos cruzados do Morgan Stanley.

 

Sobreviventes da crise

Em algumas economias avançadas, os preços dos imóveis nunca caíram, apesar da crise de 2008, e o acumular de dívidas das famílias está a aumentar os sinais de alerta. No seu mais recente relatório sobre a estabilidade financeira global, o FMI colocou a Austrália, o Canadá e os países nórdicos nesta categoria. Os 27 anos de crescimento económico sem recessão na Austrália ajudaram a impulsionar um boom imobiliário, e os preços das casas de Sidney quintuplicaram. Os preços estão em queda há 12 meses consecutivos.

 

Itália e Zona Euro 

O risco de uma saída da Zona Euro tem um novo nome: Quitaly.

 

O temor de que o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, leve a dívida para níveis insustentáveis ao aumentar o défice orçamental do país elevou os rendimentos das obrigações italianas para níveis que não se viam desde a crise da dívida do euro.

 

(Texto original: A Decade After Lehman, Investors Hunt Clues for Next Crisis)