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Irlanda mostra abertura para receber ajuda no sector bancário

Primeiro-ministro irlandês admite recorrer à ajuda da União Europeia, com os fundos a serem canalizados para o sector financeiro.

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Brian Cowen, primeiro-ministro irlandês, sinalizou ontem que o país está disponível para aceder ao fundo europeu de estabilização financeira, com a ajuda a ser dirigida para o sector financeiro.

Numa altura em que crescem as pressões para a Irlanda aceitar recorrer ao fundo de emergência, tal possibilidade foi ontem admitida pelo primeiro-ministro.

Hoje, antes da reunião dos ministros das Finanças do euro, que começa a meio da tarde em Bruxelas, o Governo irlandês irá reunir-se para definir que posição assumirá.

"Temos de discutir com os nossos parceiros qual é a melhor forma de reforçar a estabilidade financeira e do sector bancário no contexto da Zona Euro", disse o primeiro-ministro irlandês, numa entrevista à RTE. Mostrando abertura para aceitar uma ajuda dirigida à banca, Brian Cowen disse estar consciente de que o objectivo "é dar estabilidade aos mercados de modo a que o custo de financiamento para todos comece a baixar".

O discurso de Brian Cowen marca uma alteração face ao que tem dito nas últimas semanas, tendo até aqui garantido que não existiam conversações com os responsáveis da União Europeia sobre o fundo de emergência.

Ainda assim, Cowen repetiu ontem à noite que a Irlanda que não vai recorrer ao fundo para financiar o Estado, já que as necessidades de financiamento estão garantidas até meados de 2011.

Banca em dificuldades

O problema da Irlanda está na banca, onde as dificuldades no sistema financeiro irlandês estão a ser agravadas pela desvalorização dos títulos de dívida nacional detidos pelos bancos.

Os cálculos oficiais mais recentes apontam para que 50 mil milhões de euros - o equivalente a um terço da riqueza anualmente produzida no país - tenham saído dos cofres públicos para recapitalizar e tentar estancar a sangria no sistema financeiro. Mas alguns analistas estimam que esse número poderá, uma vez mais, pecar por defeito e que o esforço poderá atingir os 80 mil milhões de euros.

Esta hipótese, de o fundo de emergência europeu servir para recapitalizar a banca, foi ontem defendida por Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE. "Os problemas do sector financeiro irlandês não são problemas apenas de liquidez, nalguns casos são problemas ao nível do capital. Para esse propósito, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira é adequado. (...) Não se pode emprestar directamente aos bancos, mas pode emprestar-se aos Governos, que depois podem usar os recursos para esse fim", argumentou.

Também o governador do banco central espanhol pediu acção a Dublin. "A situação nos mercados nas últimas semanas tem sido muito negativa devido em parte à falta de uma decisão final da Irlanda", acusou Miguel Ordonez, que é também membro do conselho de Governadores do BCE.

Em Berlim, de onde estarão a sair as maiores pressões, a chanceler Angela Merkel insistia que a Alemanha tinha de fazer tudo para salvar o euro, porque o fim do euro significará o fim de todo o projecto de integração europeia. Fê-lo depois de ter sido reeleita (com 90% dos votos) presidente da União Democrática Cristã (CDU).




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