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Irlanda poderá receber 80 mil milhões de euros para refinanciar a banca até 2013 (act.)

O Banco Central Europeu (BCE) terá fornecido indicações ao Governo irlandês de que este terá de pedir 80 mil milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para sanear os principais bancos do país.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 16 de Novembro de 2010 às 16:37
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A notícia está a ser avançada pelo “Irish Times”, que não cita quaisquer fontes. Este valor coincide com cálculos apresentados nesta semana pelo Barclays Capital em torno das necessidades de recapitalização da banca irlandesa até 2013. Coincide ainda com as estimativas mais elevadas – 80 mil milhões em vez de 50 mil milhões de euros - que vários analistas fazem da injecção total de capitais públicos que o Estado irlandês terá de realizar para evitar o colapso do seu sistema financeiro.

A Grécia recebeu em Maio a promessa de uma ajuda internacional (da Zona Euro e do FMI) de 110 mil milhões de euros por três anos. Foram já transferidas as duas primeiras tranches.

Brian Cowen, primeiro-ministro irlandês, prepara-se para emitir ainda esta tarde um comunicado sobre a situação económica do país, em resposta aos pedidos de clarificação dos partidos da oposição.

Já em Bruxelas, o ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, continua reunido com os seus parceiros europeus, tendo o comissário do euro, Olli Rehn, confirmado que estão em curso negociações entre Dublin, FMI e BCE com vista a ponderar a melhor forma de ajudar a banca irlandesa.

A Irlanda tem resistido pedir ajuda externa, receando ser posta no mesmo “saco” da Grécia e perder soberania.

O Governo tem insistido que as necessidades de financiamento do Estado irlandês estão garantidas até meados de 2011, pelo que não terá de realizar até lá novas emissões de dívida pública, numa altura em que o mercado continua sob alta tensão, a sinalizar que exigirá taxas superiores a 8%.

“O problema real está na banca” e não no estado irlandês, “mas ambos estão relacionados”, contrapôs hoje o comissário Rehn.


Sangria na banca sem fim à vista


A hipótese de o fundo de emergência europeu servir para recapitalizar a banca foi ontem abertamente defendida por Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE, presidido por Jean-Claude Trichet (na foto).

"Os problemas do sector financeiro irlandês não são problemas apenas de liquidez, nalguns casos são problemas ao nível do capital. Para esse propósito, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira é adequado. (...) Não se pode emprestar directamente aos bancos, mas pode emprestar-se aos Governos, que depois podem usar os recursos para esse fim", argumentou.

Ainda segundo o “Irish Times”, o banco central irlandês forneceu até ao final de Outubro 34,6 mil milhões de euros de liquidez à banca comercial, para além dos cerca de 130 mil milhões de euros que, desde Maio, terão sido disponibilizados pelo BCE. Este valor significa que a banca irlandesa terá absorvido mais de um quinto dos 510 mil milhões de euros que foram emprestados pela autoridade monetária europeia aos bancos da Zona Euro.

A intervenção do banco central irlandês terá sido necessária por os bancos nacionais não disporem mais de activos com qualidade mínima aceitável como colateral pelo BCE.

A situação dramática na banca irlandesa foi ainda confirmada na semana passada, quando o Anglo Irish Bank reportou prejuízos colossais de 10 mil milhões de euros.


Défice astronómico e risco de crise política

O défice orçamental deverá disparar neste ano para o equivalente a 32% do PIB, devido aos mais de 50 mil milhões de euros já injectados para estancar a sangria na banca irlandesa, duramente castigada pela explosão do “subprime” (crédito de alto risco) norte-americano e da bolha imobiliária que há anos se formava no antigo “tigre celta”. Descontando o programa de ajuda à banca, o défice será de 11,9%, e o Governo promete reduzi-lo para 9,5% em 2011 e chegar a 2014 com o indicador abaixo do limite de 3% tolerado pelas regras do euro.

Os detalhes do Orçamento de 2011 só deverão ser conhecidos em 7 de Dezembro, permanecendo ainda a dúvida sobre se o Executivo conseguirá fazê-lo aprovar no Parlamento, após sucessivas dissidências dos deputados que, até agora, lhe garantiam uma magra maioria parlamentar.

O ministro das Finanças, Brien Cowen, já avisou que precisará de fazer cortes adicionais de 15 mil milhões de euros até 2014 (seis mil milhões já em 2011) para tentar repor o défice nos 3%.

Depois de ter avançado, logo no início de 2010, como o mais austero dos Orçamentos europeus (só a Grécia fez mais, mas já no quadro da intervenção externa em Maio), o Governo irlandês terá agora de dobrar a dose, e a expectativa de vários analistas é que, na impossibilidade de levar mais longe cortes salariais na função pública, 2011 assinale o princípio do fim de um dos regimes fiscais mais paradisíacos do mundo: a Irlanda terá de mexer na taxa única de 12,5% que aplica aos lucros das empresas e que lhe serviu de íman ao investimento estrangeiro durante as últimas duas décadas.


A economia irlandesa permanece em recessão e a taxa de desemprego em níveis recorde, acima dos 14%.

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