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Irlanda supera Portugal na probabilidade de "falir"

Vários indicadores sugerem que a Irlanda passou a ser vista pelos mercados financeiros como o segundo elo mais frágil da Zona Euro, a seguir à Grécia. Portugal está agora menos exposto.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 25 de Agosto de 2010 às 12:23
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No “ranking” da CMA DataVision, a Irlanda surge como 8º país a quem a consultora internacional especializada no mercado obrigacionista atribui maior probabilidade de entrar em incumprimento, à frente de Portugal, que fecha o Top-10 que é encabeçado pela Venezuela e Grécia.

A decisão da Standard & Poor’s de rever em baixa a notação de risco da dívida soberana irlandesa para AA-, que foi ontem acompanhada do aviso de que novas desclassificações estarão no horizonte, prende-se fundamentalmente, com o tremendo impacto nas contas públicas decorrente da necessidade de recapitalizar o sistema financeiro do país, que já estivera na base de decisões semelhantes da Moody’s e Fitch, as outras duas grandes agências de “rating”mundiais.

“A descida reflecte a nossa opinião de que o crescente custo orçamental de apoiar o sector financeiro irlandês irá reduzir ainda mais a margem de manobra orçamental do Governo no médio prazo”, explicou Trevor Cullinan, analista da S&P.

Segundo a S&P, a recente decisão do Governo irlandês de injectar 10 mil milhões de euros no Anglo Irish Bank, nacionalizado durante a crise financeira, aumentou “significativamente” a factura que os cofres públicos terão de assumir por amparar a banca.

Nos cálculos da agência, o custo orçamental acumulado das medidas de apoio ao sector financeiro, incluindo as perdas prováveis que o Estado terá de assumir por ter ficado na posse de “activos tóxicos”, subiu agora de 80 mil milhões para 90 mil milhões de euros.


Traduzindo para a contabilidade pública, isso significa uma subida astronómica da dívida: 113% do PIB é a previsão da S&P para 2012, num país que, em 2009, apresentou o défice orçamental mais elevado de toda a Zona Euro (14,6%). Os números irlandeses são ainda mais de levar as mãos à cabeça se se tiver em conta que, ainda em 2008, a Irlanda era dos países menos endividados do mundo, com um rácio equivalente a 42% do PIB.

Dublin protesta

As autoridades irlandesas contestam, porém, a metodologia e os pressupostos usados pela S&P. Numa reacção virulenta, a agência que gere a dívida pública – e que tem agendada para amanhã uma emissão onde pretende captar entre 400 milhões e 600 milhões de euros – diz que a análise “não é robusta”, até porque não tem em conta o valor dos activos que o Estado passou a controlar na sequência das intervenções na banca.

O Governo, por seu turno, assegurou que permanece inalterado o objectivo de repor o défice orçamental abaixo de 3% até 2014 (por serem considerados casos mais bicudos, a Irlanda e a Grécia têm mais um ano que os restantes países para atingir essa meta).

Nos mercados da dívida pública, o impacto da decisão da S&P está a fazer-se sentir. No rescaldo do corte do “rating”, a taxa de juro associada às obrigações soberanas a dez anos disparou 15 pontos base, para 5,407%, com os investidores a sinalizarem que exigirão um maior retorno para emprestar à Irlanda do que a Portugal (5,269%), que também viu agravados os indicadores das condições de crédito.
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