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Isabel Moreira quer saber quem votou a favor da advertência que lhe fez a direcção da bancada

A deputada Isabel Moreira diz que a direcção da bancada socialista ainda não a notificou da advertência que decidiu fazer-lhe e que conhece através da comunicação social, acrescentando que já pediu para saber quem votou a favor desta decisão.

Lusa 04 de Abril de 2012 às 16:40
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A direcção do grupo parlamentar do PS decidiu na terça-feira advertir Isabel Moreira, deputada independente, por ter furado a disciplina de voto no Código do Trabalho, na semana passada.

"A direcção do Grupo Parlamentar do PS mandatou o líder [Carlos Zorrinho] para explicitar junto da deputada Isabel Moreira que a quebra da disciplina de voto constitui um comportamento inadequado e que a sua reincidência significa a quebra da sua relação de lealdade com o Grupo Parlamentar do PS", refere uma nota da direcção desta bancada.

Questionada hoje no Parlamento à entrada para a sessão plenária sobre se já tinha sido notificada sobre esta decisão, Isabel Moreira respondeu que "não", mas que já pediu que lhe fosse enviada "a nota distribuída à comunicação social" e informação sobre "os termos em que foi redigida" e sobre "quais os membros da direcção que votaram a favor e quais os membros da direcção que votaram contra".

O deputado José Lello afirmou hoje, em declarações à Lusa, que o grupo parlamentar tomou neste caso uma "decisão fantasma" já que a maioria dos elementos da direcção estava contra qualquer advertência formal em relação a Isabel Moreira. No entanto, a direcção do Grupo Parlamentar do PS desmentiu estas afirmações, lembrando que Lello não esteve presente na reunião, e garantiu que a maioria dos membros da direcção da bancada concordou que Isabel Moreira fosse alvo de "um alerta" caso reincida na quebra da disciplina de voto.

A deputada reiterou, como já tinha dito à Lusa esta manhã, que considera esta decisão da direcção do grupo parlamentar do PS "ilegal" por ter havido "uma transferência dos poderes disciplinares do partido para a direcção do Grupo Parlamentar, o que não tem qualquer base jurídica ou estatutária" e porque foi aplicada uma advertência "sem que a advertida tivesse sido escutada".

Por outro lado, acrescentou que considera que foi "violado o princípio da igualdade uma vez que outros deputados que já furaram a disciplina de voto não foram sujeitos a procedimentos semelhantes".

Isabel Moreira afirmou ainda que o "PS se deve preocupar com os problemas do país" e que não é "certamente" a sua decisão de furar a disciplina de voto por duas vezes que a torna "a grande ameaça a uma eventual desordem dentro do partido".

"Acho estranho, acho inédito no PS e sobretudo acho triste quando [uma advertência destas] é feita sob consulado de um secretário-geral que sempre lutou pela liberdade de voto e ficou conhecido por furar a disciplina de voto várias vezes em matérias importantíssimas como a lei do financiamento dos partidos políticos ou o Tratado de Lisboa".

Questionada sobre se mantém a intenção de se inscrever no PS como militante, Isabel Moreira respondeu que sim: "Sempre disse que vejo como cenário natural no meu percurso, como socialista que me considero, até à raiz do cabelo, inscrever-me no partido".

A deputada acrescentou que, porém, não o fará neste momento e por enquanto, por ter sido eleita como independente e querer manter "a relação" com quem a elegeu "nesta qualidade".

"Não tem nada a ver com a circunstância que estamos a viver a minha não inscrição", afirmou.

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