Europa Islândia suspende negociações para adesão à União Europeia

Islândia suspende negociações para adesão à União Europeia

O Executivo islandês justifica a decisão com o cenário macroeconómico que se vive na região mas também com a falta de apoio por parte dos islandeses. Governo admite referendar a adesão.
Islândia suspende negociações para adesão à União Europeia
Inês Balreira 22 de maio de 2013 às 16:26

O novo Governo de coligação islandês suspendeu por tempo indeterminado as negociações para a adesão do país à União Europeia (UE), na altura em que os dois partidos no poder apresentaram o seu programa governamental.

 

O documento, conhecido esta quarta-feira, 22 de Maio, incide principalmente na redução do endividamento das famílias e no impulso da economia do país. Contudo, o programa é vago quanto às medidas concretas que vão ser tomadas pelo Executivo.

 

Para justificar a decisão de interromper as negociações com Bruxelas, o novo ministro das Finanças islandês, Bjarni Benediktsson, advogou a situação difícil que a UE atravessa. Perante o cenário macroeconómico negativo, Benediktsson afirmou que o parlamento da Islândia terá de decidir se quer convocar um referendo, que será necessário para retomar as negociações.

 

“Acreditamos que as negociações para a adesão começaram sem o apoio necessário do povo islandês. Não iremos mais longe com este diálogo. Temos também de ouvir a opinião da UE sobre a nossa abordagem, talvez não faça sentido a realização de um referendo”, afirmou Benediktsson ao “Financial Times”.

 

A decisão de cessar as negociações traduz-se na continuidade da krona islandesa, uma decisão contrária aos desejos do Governo social-democrata antecessor, que defendia que a adesão ao euro seria uma maneira de acabar com o controlo de capitais no país.

 

Porém, o novo ministro das Finanças afirmou já que o levantamento do controlo de capitais, que restringe o fluxo da krona dentro e fora do país, vai ser uma das prioridades do Governo, o que se deverá traduzir em perdas consideráveis para os credores estrangeiros da banca islandesa.

 

“Tal medida vai exigir um corte significativo nos activos islandeses para que a moeda possa estar em equilíbrio quando o controlo de capitais for levantado”, sublinhou Benediktsson.

 

As últimas eleições, em Abril, na Islândia deram a vitória ao Partido da Independência, de direita, com 26,7% dos votos. Em segundo lugar ficou o Partido Progressista, do centro. O actual Governo da Islândia é formado por estes dois partidos numa coligação de centro-direita, os mesmos partidos que estavam no poder nos anos que precederam ao colapso da banca islandesa.

 

A Islândia requereu a adesão à UE em 2009, tendo as negociações formais começado em Julho de 2010.




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