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Japão prepara alterações ao mandato do banco central

Após a vitória esmagadora neste domingo, Shinzo Abe diz que o banco central tem de encarar medidas de excepção e estar disposto a aceitar uma revisão do seu mandato.

Negócios 17 de Dezembro de 2012 às 13:29

Shinzo Abe, que está de regresso ao poder no Japão depois das eleições deste domingo onde o seu Partido Democrata Liberal (PDL) recolheu uma vitória esmagadora numa campanha atípica centrada no combate à deflação, advertiu hoje o banco central de que terá de alterar as suas políticas em linha com os resultados eleitorais.

 

"É muito raro a política monetária ser o foco da atenção numa eleição. Mas houve um apoio público forte para combater a deflação. Espero, por isso, que o Banco do Japão tome isto em consideração."

 

Abe, que deverá reassumir a chefia do Governo nipónico a partir do dia 26 deste mês, disse que instruirá o seu Governo a produzir legislação, em conjunto com o banco central, no sentido de fixar em 2% anuais o objectivo de inflação da autoridade monetária, duplicando o actual valor.

 

O novo homem-forte do Japão, que vencera as eleições em Setembro 2006, tendo caído após um curto e atribulado ano como primeiro-ministro, aludiu ainda à necessidade de o banco central apoiar o Governo com políticas "monetárias mais fortes" que permitam defender o iene, como moeda de referência mundial, mas quebrar o longo ciclo de estagnação instalado na agora terceira economia mundial, depois de ter sido ultrapassada pela China.

 

Com a contagem dos votos encerrada, os conservadores do PDL arrecadaram 294 dos 480 lugares da câmara baixa do Parlamento. Juntamente com o Komeito, pequeno partido aliado dos conservadores, o novo Governo consegue garantir mais do que a maioria de dois terços necessária para passar legislação na câmara alta da Dieta, onde nenhum partido detém a maioria.

 

"É hora de colocar um ponto final aos últimos três anos de liderança política inepta, de confusão e de estagnação", repetiu Abe.

 

O Produto Interno Bruto japonês contraiu-se 3,5 % entre Julho e Setembro em relação ao mesmo período de 2011, o que representa a primeira queda em três trimestres e a maior desde Março do ano passado. O abrandamento da economia global e o fortalecimento do iene reflectiram-se nas exportações do Japão, que têm caído a pique, sobretudo as dirigidas para a Europa.

 

O Partido Democrático foi a grande castigado nas urnas, ao eleger menos de um terço dos deputados que conseguira há três anos.

 

A ajudar ao regresso em força do PLD e da vitória de um discurso mais patriótica terá estado também o confronto com a China devido à posse das ilhas Senkaku no Mar China Meridional que ambos partilham.

 

Escreve o correspondente do "The Guardian" em Tóquio que, por detrás do discurso pausado e origem aristocrática de Abe, se esconde um nacionalista fervoroso, o que levou um comentador liberal a descrevê-lo como "o político mais perigoso no Japão".

 

Abe tem repetidamente afirmado que quer ajudar o Japão a "escapar ao regime do pós-guerra" e livrar-se de culpas do passado. Confrontado com uma China agressiva e com armas nucleares da Coreia do Norte, Abe diz ser tempo de o Japão se ditar de um verdadeiro exército .

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