Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Japão: Um ano do tsunami que voltou a colocar à prova o país do Sol Nascente

A 11 de Março de 2011, um sismo de magnitude 9.0 – seguido de um tsunami – atingiu a costa nordeste do Japão. Morreram mais de 15 mil pessoas e mais de três mil continuam desaparecidas. À tragédia humana, juntou-se uma crise nuclear, que deixou o país e o mundo em suspenso durante semanas. Um ano passado, o Japão continua a enfrentar os impactos de um dos maiores desastres naturais de sempre.

Japão: Um ano do tsunami que voltou a colocar à prova o país do Sol Nascente
  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...
A 11 de Março de 2011, às 14h46 (hora local, 05h46 em Lisboa) um sismo de magnitude 9,0 atingiu o nordeste do Japão. O abalo foi seguido de um tsunami que atingiu a costa nordeste do país e devastou por completo algumas cidades costeiras das províncias de Fukushima, Iwate e Miyagi.

O maior desastre natural da história do Japão – e um dos maiores do mundo (apenas superado por três anteriores abalos: no Chile em 1960 e com magnitude 9,5; no Alasca em 1964, com magnitude de 9,2 e mais recentemente em Dezembro de 2004 em Sumatra com uma magnitude de 9,1) – faz hoje um ano.

Em termos humanos, o sismo e o tsunami provocaram, de acordo com os últimos números oficiais do governo japonês, 15.848 mortes e 3.305 desaparecidos. Passado um ano, os abrigos continuam a ser a casa de 341.411 pessoas que foram atingidas, não só pelo sismo, mas também pela crise nuclear, que se seguiu, na central de Fukushima.

O desastre na central de Fukushima foi o mais grave desde Chernobyl, a 26 de Abril de 1986, e pode demorar 40 anos até que esteja totalmente controlado, pode ler-se numa reportagem realizada pela CNN para assinalar um ano do sismo no Japão.

Em termos económicos, estima-se que os custos materiais se elevam a 300 mil milhões de dólares. A indústria pesqueira – uma das principais da região – foi dizimada pelo tsunami. Cerca de 90% dos 29 mil barcos de pescas que existiam nas províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima perderam-se ou foram danificados pelo tsunami. 440 pescadores desapareceram ou morreram após o abalo.

Estima-se que os danos atinjam os 5 mil milhões de dólares e que a reconstrução da indústria leve entre três e 10 anos.

Apesar de todos os esforços já realizados pelo governo japonês, as marcas do abalo continuam bem visíveis (como pode ver-se nas fotos que acompanham o texto e que mostram a devastação provocada pelo sismo e tsunami e os mesmos locais um ano mais tarde).

Shigehiko Araki, repórter da TV Asahi, que no último ano acompanhou a situação na região de Tohoku, disse à agência Lusa que "a maioria das pessoas continua sem casa e sem emprego, sem forma de se sustentar".

De acordo com o jornalista, "o Governo tem feito um grande esforço, porque muita gente perdeu tudo e é uma situação muito difícil de ultrapassar, mas as pessoas não estão satisfeitas por a reconstrução não ter ainda avançado".

Reconstrução pode demorar uma década

A 10 de Fevereiro deste ano, o governo criou a Agência da Reconstrução, liderada pelo primeiro-ministro nipónico, com um período de actividade de 10 anos (até 2020) e representações nas três províncias mais afectadas: Iwate, Miyagi e Fukushima.

O secretário de Estado japonês para a Reconstrução, Kazuko Kori, disse ao jornal "Yomiuri Shimbun" que o "problema mais sério a resolver é saber o que fazer às enormes quantidades de escombros", calculando-se que o tsunami tenha gerado 20 a 25 milhões de toneladas, incluindo o que foi levado pelo mar (cerca de dois milhões de toneladas de escombros).

Na província de Miyagi, os escombros equivalem a 19 anos de lixo e são necessárias mil pessoas todos os dias só para o separar.

A demolição de casas e infra-estruturas danificadas pelo "tsunami" ainda está a decorrer e apenas cerca de 43% dos escombros foram levados para locais de armazenamento temporário.

De acordo com a CNN, com a criação da Agência de Reconstrução o processo de reconstrução das áreas atingidas pelo tsunami deverá ser agora mais rápido. No entanto, há quem critique a lentidão na criação da própria agência.

O governador de Fukushima, Yuhei Sato, disse aos meios de comunicação social japoneses que a agência "é um passo em frente". No entanto, acrescentou, "do ponto de vista das vítimas não posso deixar de perguntar: 'Não poderia ter sido criada mais cedo'?".

Mas há uma questão que divide as autoridades nipónicas: é, ou não, vantajoso reconstruir as cidades e infra-estruturas atingidas pelo abalo? É que há já quem defenda que é preferível abandonar as cidades afectadas, não só, pelo tsunami de 2011 mas por inúmeros tsunamis ao longo dos últimos séculos.


"Existe um verdadeiro sentimento de urgência"

Desde o sismo de 11 de Março que cientistas e investigadores revêem as análises feitas ao risco sísmico do arquipélago. De acordo com o "Financial Times", as mais recentes simulações indicam que um abalo da mesma magnitude mas localizado mais a sul pode devastar zonas costeiras bastante mais povoadas do que as que foram atingidas em 2011. Algumas análises indicam que o número de mortes pode ser 10 vezes superior.

Algumas investigações indicam que a área de Tóquio – com 35 milhões de habitantes – pode estar vulnerável a sismos de magnitude superior ao previsto anteriormente.

Todos estes cenários, prossegue a notícia do "Financial Times", estão a obrigar o governo japonês a rever os seus planos de emergência. Masaharu Nakagawa, ministro do Estado japonês para a gestão de desastres, afirmou, citado pela publicação britânica, que as lições de 11 de Março ajudam a alterar a forma como "o Japão se prepara as calamidades naturais e a forma como lida com elas quando estas acontecem". "Desde o sismo de 11 de Março, que existe um verdadeiro sentimento de urgência", disse o responsável.

"Apesar de serem fenómenos extremamente raros, sismos como o de 11 de Março de 2011 podem acontecer. E os governos não se podem dar ao luxo de ignorar essa possibilidade", escreve o "Financial Times".

"A sua resistência e determinação é um exemplo para todos nós"

Hoje, no dia em que passa um dia da tragédia, o imperador Akihito e o primeiro-ministro Yoshihiko Noda, falam ao país. Entretanto, foram já vários os líderes políticos de todo o mundo que prestaram homenagem ao povo japonês e que assinalaram a data da tragédia.

"Quando assinalamos um ano do sismo, tsunami e desatre nuclear no Japão, a Michelle e eu honramos a memório das vítimas e desaparecidos. Continuamos a ser inspirados pelo povo japonês, que enfrentou perdas inimagináveis com uma extraordinária coragem. A sua resistência e determinação para reconstruir um país mais forte do que antes é um exemplo para todos nós", disse o presidente norte-americano, Barack Obama, num comunicado emitido na sexta-feira.

A União Europeia também assinalou a data, através de um comunicado conjunto de Durão Barroso e Herman Van Rompuy". "Queremos reafirmar a nossa profunda simpatia pelas famílias dos que perderam a vida e a nossa profunda admiração pela força que o povo do Japão tem demonstrado perante as adversidades".

A Natureza tem, muitas vezes, sido cruel com o Império do Sol Nascente (ou não estivesse o país em cima de uma enorme panela de pressão, assente numa zona sísmica e vulcânica) colocando à prova a força e a determinação deste povo. Mas os japoneses não esqueceram o ensinamento de um dos maiores samurais, Miyamoto Musashi: "Quando se consegue apreender a força da natureza, conhecer o ritmo de qualquer situação, consegue-se atacar o inimigo naturalmente e golpear naturalmente".
Ver comentários
Saber mais Japão sismo tsunami
Mais lidas
Outras Notícias