Política Jerónimo pede satisfações a Centeno "das contas certas" sobre 600 milhões fugidos para "off-shore"

Jerónimo pede satisfações a Centeno "das contas certas" sobre 600 milhões fugidos para "off-shore"

O líder comunista pediu na quarta-feira satisfações ao ministro "das contas certas", Mário Centeno, sobre a fuga de mais de 600 milhões de euros de IRC em virtude de transferências das empresas multinacionais para paraísos fiscais ("offshore").
Jerónimo pede satisfações a Centeno "das contas certas" sobre 600 milhões fugidos para "off-shore"
Miguel A. Lopes /Lusa
Lusa 03 de outubro de 2019 às 00:44

"Foi hoje notícia que mais de 600 milhões de euros de lucros saíram do país para paraísos fiscais, sem serem tributados. Pois? Não se ouviu, mas era importante ouvir o ministro das contas certas explicar aos portugueses como é que isto foi possível: 600 milhões ganhos aqui e que voaram para o estrangeiro", indignou-se Jerónimo de Sousa.

 

O secretário-geral do PCP discursava num comício noturno no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, pequeno de mais para albergar os interessados em ouvi-lo. Foram algumas dezenas as pessoas que se viram impedidas de entrar no recinto por razões de segurança, uma vez que a lotação de 597 lugares foi ultrapassada para mais de 600 espetadores do evento CDU.

 

O Jornal de Negócios noticiou hoje um estudo internacional segundo o qual, em 2016, o Estado português perdeu 630 milhões de euros em receitas de IRC, cerca de 11% do total arrecadado, num bolo estimado de 2,9 mil milhões de euros transferidos por multinacionais para "offshore".

 

"Parece que alguns acordaram hoje para o problema. Tivesse sido aprovada a proposta que o PCP tem apresentado [no parlamento] e que foi rejeitada por PS, PSD e CDS, e esse dinheiro cá teria ficado para reforçar o financiamento dos serviços públicos, para investir na saúde, para dar resposta aos problemas dos trabalhadores e do povo", lamentou.

 

Segundo Jerónimo de Sousa, "Portugal não está condenado a ficar para trás, nem a andar para trás" e "é possível e necessário realizar outra política e avançar".

 

"Podia ter-se ido mais longe? Sim, podia, se o PS não partilhasse como o PSD e o CDS algumas opções estruturantes que têm marcado a política de direita, nomeadamente se não estivesse comprometido com os interesses do grande capital e se não pusesse à frente da resposta aos problemas nacionais as regras e imposições da União Europeia e do Euro", argumentou.

 

Finalmente, o líder comunista voltou a apelar ao voto na CDU nas eleições legislativas de domingo, atirando em todas as direções.

 

"A quem nunca votou na CDU, a todos aqueles que hesitam ainda sobre o voto certo, a todos os que, tendo votado antes noutros partidos, nos dão razão, a todos aqueles que, não estando de acordo connosco em tudo, sabem que esta é uma força que cumpre o que diz, a todos aqueles que nunca votaram porque pensam que o seu voto não resolve e àqueles que sempre votaram CDU e sabem que o seu voto nunca foi traído".

 




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