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João Semedo: Governo deve estar atento às conclusões do relatório da OCDE

O Governo deve ler com “atenção” o relatório da OCDE, que aponta para a necessidade de haver uma redução dos impostos e para o perigo de uma redução drástica do Estado, segundo João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda.

Cátia Barbosa/Negócios
Lusa 11 de Maio de 2013 às 16:22
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“O relatório diz algumas coisas importantes que o Governo devia ler com atenção. Desde logo, a brutal carga fiscal que tem duas consequências, ambas muito negativas: a primeira é uma depressão no poder de compra e uma redução do consumo interno do mercado. Estas contribuem para o colapso da economia, que é a segunda consequência”, disse à agência Lusa o deputado bloquista.

 

“Nós estamos em recessão, e muita dessa recessão resulta de não haver poder de compra, pelo que não há consumo, logo, as empresas não vendem o que produzem e vão à falência. Isto é um ciclo vicioso. Uma pescadinha de rabo na boca”, frisou João Semedo.

 

O político deslocou-se esta manhã ao Mercado de Benfica, para um contacto com a população, no âmbito da apresentação de propostas do Plano de Emergência Social do Bloco de Esquerda, tendo acedido a comentar as conclusões de um relatório da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] sobre Portugal que foram hoje avançadas pelo jornal Expresso.

 

“Outro aspecto importante do relatório é que chama a atenção para um facto que é inegável e sobre o qual tem havido por parte do Governo muita mentira e muita mistificação. É falso que o Estado português seja um Estado gordo e um Estado excessivo, um Estado do desperdício e perdulário”, considerou.

 

Segundo João Semedo, “o peso dos salários dos funcionários públicos em termos da percentagem do PIB [Produto Interno Bruto] é inferior à média dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico], da União Europeia e da Zona Euro”.

 

E reforçou: “O que nós gastamos em Saúde, no SNS [Serviço Nacional de Saúde], o que gastamos na escola pública, e no sistema de reformas e pensões, os três pilares do Estado Social, é inferior à média dos países da OCDE”.

 

Portanto, na sua opinião, “não há nenhuma razão para dizer que a dificuldade do equilíbrio das contas públicas e da consolidação orçamental está num Estado que gasta demasiado para as nossas capacidades”.

 

O dirigente bloquista frisou que actualmente as dificuldades do país “incidem nos juros e na dívida que são incompatíveis com a capacidade da economia portuguesa”, pelo que “o desequilíbrio das contas públicas decorre do peso excessivo dos juros da dívida que o Governo teima em pagar, fazendo aquilo que os credores lhe impõem”.

 

De acordo com João Semedo, “ou se corta nos juros, ou se corta no valor da dívida, podendo libertar recursos financeiros para apoiar a economia, para sustentar o Estado social e para acudir à situação de urgência social em que milhares e milhares de famílias portuguesas estão mergulhadas, ou então não há alternativa ao que o Governo propõe e que vai acabar inevitavelmente num segundo resgate”.

 

O político revelou que o Bloco de Esquerda está “muito confiante e muito optimista que o descontentamento popular e o protesto social que é hoje tão generalizado vão acabar por condenar este Governo à sua demissão”.

 

E salientou: “Se olharmos para as vozes que dentro do próprio PSD contestam a política de austeridade e se Paulo Portas fizer no Governo aquilo que diz cá fora, vemos que esta é uma coligação condenada ao falhanço e à demissão do Governo” de Passos Coelho.

 

“Não basta o apoio do Presidente da República para o Governo continuar a governar”, sublinhou o deputado do Bloco de Esquerda.

 

“Para mudar de política, ter outra atitude perante a dívida, e abrir um caminho para que o país possa sair da crise, é necessário mudar de política e isso implica mudar de Governo. O povo deve ser ouvido, devem realizar-se eleições, como é próprio da democracia e rasgar um caminho novo para o país e é isso que nós propomos”, concluiu.

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