Economia João Cravinho diz que previsão de tráfego na Fertagus "foi monumentalmente errada"

João Cravinho diz que previsão de tráfego na Fertagus "foi monumentalmente errada"

O antigo ministro do Equipamento considera que é necessário ponderar se os mecanismos de reequilibrio financeiro foram bem desenhados.
Maria João Babo 18 de setembro de 2012 às 12:11
O antigo ministro socialista João Cravinho explicou na comissão parlamentar de inquérito às Parcerias público-privadas (PPP) que a razão dos prejuízos que a concessão do eixo ferroviário Norte – Sul à Fertagus teve foi a errada previsão de tráfego.

“A previsão de tráfego foi monumentalmente errada por parte da FBO, por parte dos três concorrentes e pela própria Fertagus”, afirmou, explicando que “houve erro de previsão” porque houve “ uma sobrestimação da transferência intermodal”. “Pensou-se que se íamos ter serviço de qualidade ia haver transferência maciça do modelo rodoviário para o ferroviário, o ambiente caótico que o modo rodoviário vivia à época levava a pensar nisso”. “Foi erro cometido por toda gente”, afirmou Cravinho, admitindo que se pudesse “ter sido mais prudente”.

João Cravinho respondia às questões do deputado Mendes Bota, que tinha sublinhado que “o falhanço nas previsões de tráfego” na concessão do eixo ferroviario Norte-Sul “levou a prejuízos”, tendo o Estado tido de pagar, sublinhou, mais de 45 milhões de euros à Fertagus em reequilíbrios financeiros, além dos 57 milhões pagos pela prestação de serviço público.

“O que foi apresentado como uma parceria sem custos para o Estado português acabou por ter custo de 102 milhões de euros”, concluiu o deputado social-democrata.

O ex-ministro de António Guterres recordou que na época “o risco de tráfego era uma espécie de adamastor do problema”, que os “concorrentes mostravam receio quase patológico do risco de trafego”. “Se me dissessem que eu tinha possibilidade de obter com segurança uma estimativa de tráfego próxima da realidade, na adjudicação da concessão teria proposto modificações ao sistema de tráfego para acomodar essas discrepâncias”, assumiu,

Mendes Bota lembrou ainda que no total a Fertagus já distribuiu 33 milhões de euros pelos seus accionistas nos primeiros 10 anos, sendo a TIR neste caso de 11%, para questionar Cravinho se este foi um bom negócio para o Estado. O deputado critiou ainda a derrapagem de 600% em relação que estava previsto nos primeiros cinco anos.

Cravinho disse não enjeitar “noção de que é preciso combater as derrapagens”, sublinhando que “enquanto ministro fiz tudo quanto pude para combater derrapagens”, designadamente ao rever a lei da contratação publica ter incluído a obrigação de tolerância de 25% nas derrapagens.

Sublinhando que no caso desta concessão, em causa não está uma derrapagem mas um reequilíbrio financeiro, Cravinho afirmou que “merece ser ponderado se mecanismos de reequilíbrio financeiro foram bem desenhados”, assim como “se foram bem aplicados”.

O ex-ministro socialista, que criticou o facto de nas concessão se avaliar apenas a economicidade dos projectos e eficiência económica, considerou que no caso da travessia ferroviária do Tejo “é evidente que a Fertagus presta um serviço com componentes sociais e económicas da maior importância.




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