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John Kerry encontra-se com Putin esta terça-feira

O secretário de Estado norte-americano desloca-se à Rússia, pela primeira vez em dois anos, para se encontrar com Vladimir Putin. Em cima da mesa estará a situação na Ucrânia, a crise síria e ainda as negociações sobre o nuclear iraniano.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 11 de Maio de 2015 às 18:14
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O secretário de Estado norte-americano John Kerry, viaja esta terça-feira, 11 de Maio, até solo russo, pela primeira vez em dois anos, para se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin e também com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov.

 

As conversações terão lugar em Sochi, cidade que acolheu os Jogos Olímpicos de Inverno realizados em 2014, e servirão para abordar alguns temas que apesar de se prolongarem há já bastante tempo continuam a marcar a actualidade diplomática.

 

A crise no leste da Ucrânia deverá concentrar o essencial das atenções no encontro diplomático de amanhã, num momento em que persiste a pressão internacional sobre o Kremlin devido ao alegado envolvimento russo no apoio aos separatistas pró-russos.

 

Sobre Moscovo continuam a pender as sanções económicas impostas pelo ocidente, que têm levado ao crescente isolamento de uma economia também debilitada pela acentuada desvalorização do crude registada ao longo do último ano e ainda pela queda do rublo.

 

No passado sábado, Moscovo foi palco da maior parada militar vista desde o final da Guerra Fria, evento realizado para comemorar os 70 anos da derrota nazi e que serviu para mostrar ao mundo o poderio militar russo. Depois deste evento a que faltaram os líderes da generalidade dos países ocidentais, este domingo, a chanceler alemã Angela Merkel esteve em Moscovo para homenagear os mortos russos ao longo da Segunda Guerra. Ocasião aproveitada pela governante germânica para deixar duras críticas à acção russa no Donbass, leste ucraniano, acusando Moscovo "da criminosa e ilegal anexação da Crimeia" em Março do ano passado.

 

Merkel também responsabilizou Putin pela degradação das relações bilaterais entre Berlim e Moscovo, devido à postura russa no conflito militar que se prolonga há mais de um ano no leste da Ucrânia, e que constitui "a violação dos fundamentos do quadro europeu comum de paz".

 

Entre Moscovo e Washington as diferenças agudizaram-se nos últimos meses. Do Pentágono surgem cada vez mais vozes a defender a adopção de um papel de maior força por parte da administração norte-americana. Uma medida que recolhe apoio junto de republicanos e democratas passa pelo envio de armamento pesado defensivo para as autoridades de Kiev, algo que há mais de dois meses a chanceler Merkel conseguiu evitar após uma viagem a Washington. Decidiu-se então insistir na via das negociações diplomáticas.

 

Já Moscovo continua a responsabilizar os Estados Unidos pelos desenvolvimentos que provocaram as manifestações na praça da Independência em Kiev e que resultaram na queda do ex-presidente pró-russo Viktor Yanukovych, em Fevereiro do ano passado, e na ascenção ao poder de forças políticas pró-europeias encabeçada pelo actual presidente, Petro Poroshenko.

 

No discurso proferido no sábado em plena Praça vermelha, Putin acusou aqueles "que pretendem constituir um mundo unipolar" pelos sistemáticos falhanços nas tentativas de estabelecimento de um acordo de paz efectivo, depois de os dois cessares-fogo assinados em Setembro e Fevereiro continuarem a não ser cumpridos no terreno.

 

Nuclear iraniano, Síria e Iémen também na agenda

 

A imprensa internacional avança que haverá ainda outros temas na agenda para as conversações em Sochi. As negociações sobre o nuclear iraniano, cujo acordo final está previsto para 30 de Junho, são um tema de discórdia crescente entre os membros do P5+1, que engloba os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e ainda a Alemanha.

 

Depois do acordo preliminar alcançado há poucas semanas, Teerão veio garantir que só aceitará fazer algumas cedências na prossecução do seu programa nuclear se as sanções económicas que pendem sobre o país há mais de 10 anos forem imediatamente levantadas. No entanto, apesar das negociações prosseguirem, Moscovo decidiu entretanto levantar o embargo ao fornecimento de mísseis defensivos S-300. Uma decisão fortemente criticada por Washington e que enfraquece a posição negocial do P5+1.

 

A Síria, onde prossegue uma guerra civil entre os apoiantes do presidente Bashar al-Assad, cujo regime é apoiado por Moscovo e Terrão, e várias milícias armadas, e o Iémen onde também decorre um conflito armado entre os xiitas houthis apoiados pelo Irão e os apoiantes do presidente Mansour Hadi, serão os restantes tópicos na agenda. 

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