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Jorge Sampaio recebe Prémio Nelson Mandela

Jorge Sampaio recebeu esta quinta-feira, 24 de Julho, o Prémio Nelson Mandela pela ONU. O antigo Presidente da República é a primeira personalidade a receber a distinção que visa distinguir personalidades pelo seu trabalho em prol dos ideais defendidos pela organização.

Sérgio Lemos/Correio da Manhã
Liliana Borges LilianaBorges@negocios.pt 24 de Julho de 2015 às 18:43
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Jorge Sampaio recebeu esta sexta-feira, 24 de Julho, o Prémio Nelson Mandela, atribuído este ano pela primeira vez na história das Nações Unidas. O prémio foi instituído no ano passado pelas Nações Unidas e visa "reconhecer personalidades que dedicam as suas vidas ao serviço da humanidade", cita a página da Organização das Nações Unidas.

A organização descreve o antigo Presidente português como "grande defensor da democracia portuguesa desde os seus tempos de estudante como activista político e já depois do 25 de Abril, enquanto político". Foi ainda recordado como alguém que trabalhou para construir uma imagem de um Portugal democrática e moderna enquanto apoiava a integração europeia e supervisionava a entrega de Macau à China.

Depois do seu mandato enquanto Presidente, que terminou em 2012, Sampaio foi enviado especial da ONU na luta contra a tuberculose tendo investido nos últimos anos numa iniciativa para fornecer subsídios de emergência a estudantes sírios para que possam continuar os seus estudos, apesar da guerra na Síria - a chamada "Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios".

A sua imagem e presença política e o trabalho que se seguiu depois de deixar Belém conquistaram a atenção das Nações Unidas, que entregam o prémio nas comemorações do Dia Internacional Nelson Mandela, que se assinala a 18 de julho, dia em que o Nobel da Paz sul-africano nasceu.

Durante o seu discurso na sede da ONU em Nova Iorque, o antigo Presidente da República dedicou-se a uma análise da actualidade mundial, alertando para "novas formas subtis de autoritarismo" que têm vindo a emergir em sociedades onde "a mudança parece bloqueada".

"Estamos a enfrentar tempos igualmente difíceis e negros", afirmou Sampaio, acrescentando que vivemos "tempo em que vemos grande descontentamento e descrédito sobre a política e a democracia a pairar sobre muitos países desenvolvidos, nomeadamente na Europa", disse.

Jorge Sampaio abordou ainda o conflito israelo-palestino e o elevado número de pessoas que ainda vivem abaixo do limiar da pobreza. O ex-Presidente exemplificou recorrendo aos casos de "tortura, violações e brutalidades imensas nos campos de refugiados". Sampaio acredita que é papel do Governo e da comunidade "pôr um travão" e ser "um escudo de protecção contra os indefesos", alertando para a proliferação do terrorismo, que "mata em todo o lado e a toda à hora, além de qualquer limite de brutalidade ou grupo que esteja imune e que possamos nomear".

Em entrevista à rádio ONU aquando a sua nomeação para o prémio, Jorge Sampaio pediu mais diálogo, eficácia e que se traga "a ciência, a economia, a sociedade e o progresso para dentro dos nossos quotidianos".

No final do discurso, Jorge Sampaio citou Nelson Mandela, "a maior glória em viver reside não em nunca cair, mas em levantarmo-nos de cada vez que caímos".

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