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Juiz Rui Rangel acusa juízes de serem a "classe menos confiável em Portugal"

Em declarações ao jornal i, o magistrado que decidiu levantar o segredo de justiça no processo de José Sócrates queixa-se da existência de "uma campanha" orquestrada contra si e dispara sobre a classe dos juízes.

Negócios negocios@negocios.pt 08 de Outubro de 2015 às 09:46
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"Tudo isto é uma campanha. A seu tempo, tudo será explicado". É desta forma que, em declarações ao jornal i, o juiz Rui Rangel comenta as recentes notícias sobre a existência de plágio no acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa em que decidiu levantar o segredo de justiça no processo da Operação Marquês.

 

Na sua edição desta quinta-feira, 7 de Outubro, o i escreve que o magistrado tece duras críticas aos jornais, aos quais acusa de terem "causas".

 

E atira também várias farpas dentro da sua própria classe profissional. "Não faço parte do grupo de juízes cinzentões que acham que estão fechados numa redoma de vidro", cita o i. O magistrado defende que, pelo contrário, os juízes devem intervir, porque "quando um juiz discute a justiça, dá o corpo às balas, sabe-se o que ele pensa". Ao invés, "é o serem imunes a tudo que faz perigar" o sistema judicial. Hoje, considera, os juízes "são a classe menos confiável". E, prossegue, "os juízes, infelizmente, não sabem ser membros de um poder soberano, agem com mentalidade de funcionários públicos"

 

Rui Rangel é um dos mais mediáticos juízes portugueses, que aparece frequentemente na imprensa e nas televisões a comentar as questões da Justiça. O caso de José Sócrates foi várias vezes alvo de comentários da sua parte, pelo que chegou a levantar-se a hipótese de, quando lhe chegou às nãos, na Relação de Lisboa, o recurso dos advogados do ex-primeiro-ministro sobre o segredo de justiça, o juiz poder pedir escusa.

 

Não foi o que aconteceu, Rangel ficou com o processo e o acórdão final acabaria por dar a José Sócrates a sua primeira grande vitória, ao estabelecer o levantamento do segredo de justiça interno no processo.

 

A decisão foi largamente contestada pelo Ministério Público – que, aliás, avançou com um pedido de nulidade – e, entretanto, uma notícia do Público dava conta da existência, no acórdão, de excertos de uma outra decisão, da Relação de Coimbra. O texto teria, ainda, parágrafos retirados de um texto científico de um professor da Universidade Católica de Lisboa, recorda o i. Em nenhum dos casos as citações estavam devidamente identificadas o que, escreveria dias depois o Correio da Manhã, poderia conduzir à abertura de um processo disciplinar a Rui Rangel. 

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