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Juncker mantém “porta aberta” mas quer que “o povo grego conheça a verdade”

O presidente do Conselho Europeu mostrou-se “profundamente entristecido com a escalada das últimas horas a que se tem assistido na Grécia”. Contudo, apesar de Juncker dizer ser preciso que “o povo grego conheça a verdade”, afiança que as instituições mantêm a “porta aberta” para novas negociações.

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David Santiago dsantiago@negocios.pt 29 de Junho de 2015 às 12:43
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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, realizou uma conferência de imprensa para esta segunda-feira, 29 de Junho, para falar sobre a "escalada das últimas horas a que se tem assistido na Grécia" que deixaram o político luxemburguês "profundamente entristecido e aflito". No entanto, Juncker considera ser necessário que "o povo grego conheça a verdade" sobre as negociações mantidas entre as instituições credoras e a Grécia ao longo de quase cinco meses.

 

O líder da Comissão Europeia reiterou que a "decisão unilateral" das autoridades gregas, que abandonaram, na passada sexta-feira, as conversações com os credores para, na sequência dessa decisão, anunciarem a convocação de um referendo para 5 de Julho, foi recebida com "surpresa".

 

Juncker explicou que "numa democracia" como a grega "o governo tem todo o direito de convocar este referendo" sobre um eventual acordo com os credores, mas insistiu não ter sido informado dessa decisão pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras. "Não posso culpar o governo grego, mas estou desapontado", concluiu.

 

Reconhecendo o direito de convocar o referendo, Jean-Claude Juncker também sustentou que "o povo grego tem o direito a conhecer toda a história" sobre a forma como se desenrolaram as conversações. No entanto, Juncker sublinhou que as instituições mantêm a "porta aberta" para prosseguir as negociações com Atenas. Mas garante que "as propostas são as mesmas que estavam em cima da mesa no passado sábado" e que a Comissão Europeia divulgou este domingo.

Mas se Juncker reconhece o direito de convocação do referendo pelas autoridades helénicas, também diz ser necessário salvaguardar os direitos das democracias dos restantes 18 Estados-membros da Zona Euro. "Na Zona Euro há 19 democracias, não há só uma", atirou.

 

Todavia o presidente da Comissão Europeia sente-se "traído", especialmente "depois de todos os esforços das instituições" para se firmar um acordo com Atenas. Juncker responsabiliza "o egoísmo e o tacticismo político" pela inviabilização de um acordo.

 

Reconhecendo que "há muita coisa em jogo", Juncker voltou a sublinhar que "continuamos a trabalhar para manter a família europeia unida, com o objectivo de encontrar um acordo que seja justo para todos". Mas alerta que "não se pode chegar a acordo com base em chantagem". E numa indirecta às autoridades helénicas, disse que "não é tolerável" o recurso "a frases por acabar, insinuações e discursos a roçar ameaças políticas".

 

Juncker apela ao voto no "Sim"

 

Apesar do mal-estar causado pela convocação de um referendo em que será perguntado aos gregos se concordam que o governo helénico deve assinar a proposta das instituições, e sabendo-se que o Syriza já proclamou que fará campanha pelo "Não", Jean-Claude Juncker também entrou em campanha: "Digo ao povo grego que não deve cometer suicídio por ter medo da morte".

Para o político luxemburguês o referendo convocado pelo governo grego é também uma consulta popular sobre a vontade grega de continuar, ou não, na União Europeia e no euro. Citado pelo El País, Juncker resumiu a questão em torno do referendo da seuintew forma: 
"Um não no referendo, independentemente da pergunta, significaria que a Grécia diz não à Europa. Toda a gente considerará que a Grécia quer afastar-se do euro e da Europa". 

 

De regresso às críticas ao Syriza, o ex-primeiro-ministro do Luxemburgo lembrou que "a responsabilidade vem antes dos interesses individuais e os países vêm antes dos partidos". Como tal, defende que "a Europa não pode funcionar quando se é incapaz de gerir as diferenças de interesses dos países".

 

Por isso sustenta que "é precisa uma Europa paciente e que garante o interesse comum" e realça que a Zona Euro continua a ser composta por 19 economias, incluindo a grega. "Para mim o 'Grexit' nunca foi nem será uma opção", acrescentou Juncker.

Comissão garante ter feito cedências e recusa ter apresentado ultimatos

 

O presidente da Comissão Europeia mantém que as instituições credoras, que também incluem o BCE e o FMI, fizeram tudo para chegar a um acordo no "interesse do povo grego". "Estas negociações foram sempre desenvolvidas numa base de confiança mútua e nunca com uma aproximação de pegar ou largar. Fiz tudo o que podia ser feito para facilitar um acordo", asseverou.

 

Nesse sentido Juncker elucidou que foram feitas várias cedências às exigências apresentadas pelo então recém-eleito governo liderado por Alexis Tsipras.

 

"Ajustámos os nossos métodos de trabalho aos desejos do governo grego, criámos o Grupo de Bruxelas em vez da troika. Discutimos ao nível político mais elevado, não apenas técnico, esperámos sempre pelas propostas gregas, que muitas vezes chegaram com atraso, várias delas deliberadamente", acusou.

 

Juncker insistiu que o último pacote apresentado pelos credores é um "pacote de medidas que asseguram mais justiça social, crescimento e emprego". "Não se trata de um pacote de austeridade estúpida", afiançou Juncker que notou que as poupanças exigidas ao Executivo grego durante os anos vindouros eram menores em 12 mil milhões de euros face às metas iniciais.

 

O dirigente europeu sublinhou ainda que a proposta das instituições não previa cortes salariais, algo "que nunca esteve em cima da mesa", nem cortes nas pensões de reforma. Porém, Juncker refere que a Segurança Social grega tem de ser "reformada urgentemente para ser sustentável, algo que o povo grego também tem de saber".

 

Antes de colocar um ponto final à intervenção desta manhã, Jean-Claude Juncker contrariou a mensagem que foi sendo transmitida nos últimos dias pelo governo grego. Porque tanto Tsipras como o seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, já criticaram os credores por se mostrarem inflexíveis a aceitar medidas alternativas ao corte nas pensões, aumento de impostos sobre os rendimentos mais elevados e imposição de uma taxa sobre os lucros acima de 500 mil euros das empresas.

 

Juncker lembrou que foi dada margem ao governo grego para substituir as medidas propostas por medidas alternativas com impacto orçamental neutro. Para ilustrar o ponto de vista dos credores, Juncker confidenciou ainda que "foram precisas algumas horas para persuadir o governo grego a impor um regime fiscal menos favorável aos donos de barcos, mesmo que isto seja uma medida de senso comum". 


(Notícia actualizada pela última vez às 13h37)

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