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Kiel: Políticas do Governo português podem trazer dúvidas sobre sustentabilidade da dívida

Stefan Kooths, do Instituto de Economia Mundial de Kiel, sublinhou que a dívida pública em Portugal é "muito elevada", considerando que ela "apenas parece ser tolerável porque as taxas de juro estão muito baixas".

Bruno Simão/Negócios
Lusa 03 de Janeiro de 2016 às 15:30
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O economista Stefan Kooths, do Instituto de Economia Mundial de Kiel, avisa que as políticas do novo Governo podem levantar dúvidas face à sustentabilidade da dívida pública portuguesa, defendendo que Portugal comece a reduzir a sua dívida imediatamente.

 

"Se este 'novo' modelo significar dívida adicional, pode haver dúvidas de sustentabilidade, dado a actual nível elevado de dívida pública em Portugal", alertou o director do Centro de Previsões do Instituto de Economia Mundial de Kiel, Stefan Kooths.

 

O economista do instituto alemão respondia, assim, à agência Lusa, quando questionado sobre se o crescimento económico defendido pelo novo Governo, baseado principalmente na procura interna, é sustentável.

 

Stefan Kooths sublinhou que a dívida pública em Portugal é "muito elevada", considerando que ela "apenas parece ser tolerável porque as taxas de juro estão muito baixas".

 

"No entanto, os Estados Unidos já começaram a aumentar as taxas de juro. Por isso, Portugal devia tentar começar a reduzir a sua dívida hoje, em vez de continuar a acreditar que as taxas de juro serão baixas para sempre", afirmou o professor do Instituto de Economia Mundial de Kiel.

 

Ainda assim, Stefan Kooths defendeu que as "finanças públicas devem ser ajustadas caso o crescimento económico for baixo" e não o contrário.

 

"Assumir que podemos ajustar o crescimento às necessidades das finanças públicas é 'wishful thinking' [um desejo optimista] ", afirmou o economista, defendendo reformas estruturais, como a redução de barreiras à entrada no mercado de trabalho, por exemplo, para fomentar o crescimento económico na Europa.

 

Para Stefan Kooths, os problemas dos países europeus "são estruturais" e não de uma natureza monetária e, por isso, "a política monetária pode fazer muito pouco" para ajudar.

 

"Pelo contrário, o 'boom' que precedeu a crise da zona euro foi alimentado por uma expansão massiva do crédito, juntamente com taxas de juro muito baixas", lembrou, considerando que "com a política de taxas de juro a zero e os programas de 'Quantitative Easing', o Banco Central Europeu (BCE) corre o "risco de provocar uma nova crise financeira no futuro".

 

Além disso, Stefan Kooths lembrou que anteriormente à crise o objectivo de inflação tinha sido alcançado pelos maiores bancos centrais do euro e isso "não impediu que a crise acontecesse".

 

"Parece que o BCE está a tentar aumentar a inflação na zona euro através da depreciação do euro. Mas isso não resolve nenhum dos problemas estruturais da zona euro, apenas cria novas distorções", disse.

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