Economia Krugman sobre Silva Lopes: "O mundo perdeu um grande homem, bom e incrivelmente simpático"

Krugman sobre Silva Lopes: "O mundo perdeu um grande homem, bom e incrivelmente simpático"

O Nobel da Economia Paul Krugman escreveu um texto a recordar os momentos que passou com Silva Lopes, lembrando as piadas e assumindo que algumas das suas ideias deram-lhe pistas para os seus primeiros trabalhos académicos.
Krugman sobre Silva Lopes: "O mundo perdeu um grande homem, bom e incrivelmente simpático"
Negócios 03 de abril de 2015 às 00:13

O texto foi feito poucos minutos depois de conhecida a notícia da morte de José da Silva Lopes. 

 

O Nobel da Economia em 2008, Paul Krugman, escreveu um texto disponibilizado no "site" do New York Times onde fala da sua experiência, ainda estudante, no Banco de Portugal onde conheceu Silva Lopes.

 

Recorda alguns momentos que o fizeram rir nos idos anos 70 do século passado. Relembra, ainda, quando há dois anos recebeu o doutoramento "honoris causa" em Lisboa, cerimónia na qual voltou a cruzar-se com Silva Lopes de quem agora diz que continuava tão incisivo e com tão bom humor como sempre. 

 

Conclui dizendo que o "mundo perdeu um grande homem, bom e incrivelmente simpático".

 

Paul Krugman conheceu, relata o próprio, o então governador quando em 1976 passou o Verão a trabalhar no Banco de Portugal com um grupo de estudantes do MIT. Silva Lopes era o governador do Banco de Portugal. Paul Krugman, aliás, em 2013 escreveu sobre a sua experiência em Portugal.

 

"Deixem-me acrescentar que trabalhar com Silva Lopes — que em certos momentos deve ter ficado apavorado por ter de lidar connosco, estudantes incultos, ao mesmo tempo que estava a tentar lidar com o caos do ainda instável sistema político, mas revelando um bom humor infalível e inteligente - foi dos pontos mais altos de toda a história".

 

Paul Krugman fala daqueles anos quentes em Portugal, no pós-25 de Abril, ainda antes de se ter pedido ajuda ao FMI pela primeira vez, mas vivendo no receio de não ter divisas suficientes em reservas para os pagamentos dos bens que entravam no país, alguns deles bens essenciais. A propósito disso, conta o que Silva Lopes dizia. E cita-o: "quando tiver reservas para seis meses, não terei reservas". Krugman diz agora que esta frase foi uma inspiração crucial para os seus primeiros trabalhos sobre crises cambiais.

 

No dia da morte de Silva Lopes, o Nobel lembra ainda uma piada do economista português quando caracteriza a economia nacional, que exportava muito vestuário. Silva Lopes, segundo Krugman, explicava: "não somos a República das bananas, sobre a república dos pijamas".

 

Nas suas recordações relata ainda outro caso. Relembrando que a equipa de estudantes do MIT trabalhava nuns escritórios arrandandos na Av. da República conta que no andar de cima estava instalado uma delegação comercial russa. Por causa disso diziam a Silva Lopes que os russos deviam estar a escutá-los - vivia-se ainda na era da Guerra Fria. Silva Lopes respondia: "Não me preocupo com o que os russos possam decobrr, é com a comunicação social que me preocupo".

 

Conclui o seu texto dizendo: "O mundo perdeu um homem grande, bom e incrivelmente simpático".

 

Paul Krugman integrou uma equipa de cinco estudantes de economia do MIT no Verão de 1976 na sequência da amizade de Silva Lopes com Richard Eckaus. Além de Krugman integravam a equipa Miguel Beleza - na altura também a doutorar-se no MIT -, Andy Abel, Jeffrey Frankel e Ray Hill.  No ano seguinte chegou uma segunda equipa da qual fazia parte Kenneth Rogoff. A acompanhar a equipa esteve também Rudiger Dorndusch, que morreu em 2002, tendo sido ele quem concebeu o modelo de desvalorização deslizante.

 




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