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Líderes políticos gregos reagem mal a sugestão de referendo sobre saída do euro

Os líderes políticos gregos reagiram hoje com ira à sugestão, atribuída à chanceler alemã Angela Merkel, que o país realize um referendo sobre a continuação no euro numa eleição no próximo mês.

Lusa 19 de Maio de 2012 às 16:44
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A sugestão da chanceler, já negada por Berlim, foi mal recebida pelos líderes, sensíveis a qualquer comentário vindo da Alemanha, que insistiu que Atenas aposte nas medidas de austeridade acordadas pela UE e FMI.

"O povo grego não precisa de qualquer referendo para demonstrar a sua escolha relativamente ao euro, já fez sacrifícios suficientes para mostrar isso", disse o líder do partido conservador Nova Democracia que ganhou as eleições inconclusivas de 06 de maio.

A sugestão de Angela Merkel, "ainda mais vinda no seguimento das eleições é lamentável e inaceitável", referiu Antonis Samaras.

"O povo grego tem o direito de ser respeitado pelos seus parceiros" europeus, acrescentou. Berlim já recusou a existência de qualquer proposta da parte de Angela Merkel.

"A informação de que a chanceler sugeriu um referendo ao Presidente Carolos Papoulias está errada", disse o porta voz de Angela Merkel.

Entretanto, Wolfgang Bosbach, deputado do partido conservador CDU, de Angela Merkel, defendeu a saída da Grécia da zona euro, na edição da revista Wirtschaftswoche, a publicar segunda-feira.

"Isso pode abrir o caminho para o crescimento. Poder-se-ia também negociar uma espécie de plano Marshall europeu para a Grécia", disse na entrevista o deputado, que votou contra o segundo plano de ajuda ao país.

Alexis Tsipras, o líder do partido radical de esquerda Syriza, que ficou em segundo lugar na votação de 06 de maio, defendeu uma campanha contra as políticas de austeridade.

"A senhora Merkel está habituada a falar com os líderes políticos da Grécia como se estivesse a dirigir-se a um protectorado", disse Alexis Tsipras.

"Os gregos vão dar uma resposta definitiva [nas próximas eleições] e vão dar um fim às políticas de austeridade e submissão, vão abrir o caminho para forças progressivas ao longo da Europa", acrescentou.

O líder do Partido Socialista Pasok apontou que o parlamento grego e o Governo têm autoridade para pedir um referendo.

"A questão para a Grécia não é se fica no euro ou não, mas se pode sair da crise", defendeu Evangelos Venizelos.

Os jornais gregos são ainda mais críticos acerca desta questão e, por exemplo o Eleftheros Typos escreveu: "é uma bomba Merkel um referendo sobre o euro, uma intervenção política sem precedentes que piora as coisas".
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