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Líderes reconduzem Durão Barroso mas exigem tempo e garantias

Salvo imprevisto de última hora, Durão Barroso deverá hoje receber o "apoio político" dos líderes europeus para se suceder a si próprio à frente da Comissão Europeia, o que lhe permitirá cumprir a primeira etapa de uma longa maratona que, se lhe correr de feição, estará terminada no Outono, a tempo de renovar o seu mandato de cinco anos que termina em Novembro.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 18 de Junho de 2009 às 13:36
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Salvo imprevisto de última hora, Durão Barroso deverá hoje receber o "apoio político" dos líderes europeus para se suceder a si próprio à frente da Comissão Europeia, o que lhe permitirá cumprir a primeira etapa de uma longa maratona que, se lhe correr de feição, estará terminada no Outono, a tempo de renovar o seu mandato de cinco anos que termina em Novembro.

Mas, ao contrário do que é usual, a cimeira - que decorre esta tarde e amanhã em Bruxelas e que se arrisca a ter um debate especialmente aceso em torno do reforço da supervisão financeira ao nível europeu - deverá optar por lhe dar um "sim", seguido de um "mas".

Para evitar entrar numa escalada de confrontação com Parlamento Europeu - onde Barroso e, posteriormente, a sua equipa terão de ser aprovados, não dispondo a sua família política, o PPE, da maioria necessária para dispensar apoios à esquerda e à direita -, os líderes europeus preparam-se para pedir garantias adicionais e tempo ao novo presidente. Garantias na forma da apresentação de uma espécie de programa de Governo, para travar os muitos que no Parlamento - e fora dele - criticam Barroso por ter sido pouco sensível aos problemas sociais da Europa. A sugestão partiu, no entanto, do eixo franco-alemão, numa iniciativa que tem sido amplamente interpretada como uma tentativa dos dois "grandes" condicionarem a actuação de Barroso, a começar pela cobiçada repartição de pastas na nova Comissão.

À espera dos irlandeses


Mas os líderes vão pedir também tempo a Barroso. Tempo para clarificar o contexto jurídico da União Europeia, suspenso do resultado do que será o segundo referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, que poderá ser antecipado para Setembro e que, caso entre em vigor, traz alterações ao número de comissários e cria novos altos cargos (o de MNE europeu e o de presidente da UE, por exemplo) que é preciso articular com a formação da nova Comissão.

E tempo também para contornar um cenário de "chumbo" em Estrasburgo, que tem sido insistentemente acenado por Daniel Cohn-Bendit, líder dos Verdes - o grupo que mais cresceu nestas eleições, ainda que seja apenas o quarto maior -, que lançou a mais feroz campanha contra a recondução do ex-primeiro-ministro português, sob a divisa "Todos menos Barroso". Segundo o que tem afirmado - e ninguém parece querer testá-lo -, se os líderes insistirem submeter Barroso a votação já em Julho, haverá no Parlamento uma "maioria suficiente" para o travar.

Não necessariamente porque haja uma maioria contra Barroso, mas porque há uma maioria que quer ver aprovado o novo presidente e a nova Comissão à luz do novo Tratado de Lisboa. Isto porque, numa resolução recentemente votada por ampla maioria, o Parlamento exige que "o procedimento relativo à escolha do próximo presidente e à nomeação da futura Comissão respeite sempre a substância dos novos poderes que o Tratado de Lisboa reconhece ao Parlamento nesta matéria".

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