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Lições de quem lidou com uma crise de dívida, a guerra e um furacão

Natalie Jaresko partilha o que aprendeu com a gestão de dívida na Ucrânia e em Porto Rico.

Bloomberg
Bloomberg 06 de Abril de 2019 às 19:00
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Natalie Jaresko, que trabalha no pedido de resgate financeiro de Porto Rico, conhece bem os riscos dos empréstimos governamentais. Nascida em Chicago, viveu na Ucrânia durante 25 anos, onde foi uma das fundadoras de uma firma de private equity e depois atuou como ministra das Finanças, supervisionando a reestruturação da dívida do país e o programa do Fundo Monetário Internacional quando a guerra esgotou os recursos públicos.

 

No início de 2017, Natalie Jaresko aceitou o convite para se mudar para Porto Rico e liderar o comité federal encarregado de reduzir a dívida de 74 mil milhões de dólares e 50 mil milhões em obrigações.

 

Meses depois, o furacão Maria destruiu a ilha, acabou com a rede elétrica e matou milhares de pessoas.

 

Jaresko, que faz 54 anos este mês, conversou com a repórter da Bloomberg News, Michelle Kaske, sobre como governos e investidores devem avaliar dívidas e riscos.

 

Como compara as crises financeiras da Ucrânia e de Porto Rico?

Embora a população da Ucrânia seja 10 vezes maior do que a de Porto Rico, cada economia movimenta cerca de 100 mil milhões de dólares. A dívida era muito parecida: 74 mil milhões, 70 mil milhões. Então o tamanho do problema era muito semelhante, mas a natureza da dívida é muito diferente. A reestruturação de dívidas soberanas é um pouco mais flexível, mas em Porto Rico existe uma enorme variedade de regras, regulamentos e leis que precisam de ser cumpridos em cada reestruturação de dívida. Existem diferenças enormes em termos de prioridade.

 

E cada uma teve sua catástrofe: em Porto Rico foi o furacão e, na Ucrânia, a guerra.

Estes eventos juntaram-se à crise de dívida. No caso da guerra, 20% do PIB literalmente desapareceu. Estava fisicamente nos territórios ocupados. Em Porto Rico, todo o sistema elétrico caiu. A situação fiscal fraquíssima ficou 100 vezes pior com a guerra na Ucrânia e o furacão em Porto Rico.

 

Cresceu em Chicago, mas passou boa parte da vida adulta na Ucrânia. Como foi é que se mudou para uma ilha caribenha?

O que me atraiu para Porto Rico foi a possibilidade de usar as habilidades e experiências que tive na Ucrânia, após conseguir a reestruturação da dívida e também o reequilíbrio fiscal, mesmo em tempos de guerra, quando precisamos gastar mais com segurança nacional. Sou filha de imigrantes que passaram por experiências com nazis, pela Segunda Guerra Mundial e pela União Soviética e eu tinha muita confiança no sistema dos EUA. De que é possível sair de um navio sem nada e trabalhar duro. As minhas duas avós eram analfabetas e mesmo assim eu estudei em Harvard. Eu também acredito que o modelo funciona, que uma classe média forte é o pilar da democracia e o pilar de um orçamento robusto.

 

Que lições da Ucrânia podem ajudar Porto Rico?

Não desperdice uma crise. A vontade política para tomar medidas difíceis está mais disponível quando a classe política sente uma crise. A segunda grande lição é que é preciso ter defensores. Cada reforma é extremamente difícil. É preciso alguém que inspire e passe para a população a sensação de que é preciso fazer algo agora e que não se pode esperar.

(Texto original: Lessons From a Woman Who Managed Debt Crises in War, Hurricane)

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