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Lira turca atinge mínimos históricos com perspectiva de novas eleições

O impasse político na Turquia tem afectado a confiança dos investidores, numa altura em que o país está também a braços com os problemas de segurança junto à fronteira com a Síria. A moeda nacional recuou para mínimos históricos e os juros da dívida a 10 anos aumentam para mais de 9%.

Bloomberg
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A moeda turca desvalorizou 1,8% para 2,82 dólares depois de o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu ter dito que o regresso às urnas é "a única opção" face ao impasse nas negociações entre os dois maiores partidos do país, que inviabiliza a criação de uma coligação para Governar a Turquia após as eleições de Junho, em que o partido do presidente Recep Tayyip Erdogan não conquistou maioria absoluta como pretendido.

 

As eleições antecipadas deverão acontecer dentro de três meses, afirma o jornal turco Haberturk citando fontes não identificadas do partido do Governo, o islamita Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), e ainda do social-democrata Partido Republicano do Povo (CHP).

 

Além do recuo da moeda nacional, o índice turco Borsa Istanbul 100 caiu 2,7%, a maior desvalorização desde 23 de Julho. Os juros da dívida a 10 anos aumentaram 20 pontos base para 9,84%, escreve a Bloomberg.

 

O Governador do Banco Central turco, Erdem Basci, "estará sob imensa pressão para suportar a lira com todas as ferramentas ao seu dispor", considera Piotr Matys, estrategista do Rabobank, citado pela agência de notícias. O comité do banco deverá reunir-se para discutir a política monetária na próxima terça-feira.

 

Nas eleições de 7 Junho deste ano, o partido do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, não conquistou a maioria absoluta pretendida, sendo então forçado a encetar negociações tendo em vista a formação de um governo de coligação suportado por uma maioria parlamentar sólida, algo que não se verificou até agora.

 

Estas eleições foram marcadas pelo resultado obtido pelo Partido Democrático do Povo (HDP), que pela primeira vez conseguiu entrar no parlamento, tendo eleito 79 deputados. A formação conseguiu ultrapassar o patamar mínimo de 10% exigido para entrar no parlamento, tornando-se assim no primeiro partido pró-curdo a consegui-lo.

 

Além do impasse politico, a Turquia lançou a 24 de Julho um "ataque indiscriminado contra o terrorismo", que além de presumir o combate contra o Estado Islâmico, pressupõe também o retomar de hostilidades contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que Ancara classifica como "terrorista". Cinco dias depois da proclamação da guerra contra o terrorismo, as forças turcas avançaram com uma pesada incursão militar contra elementos do PKK no Curdistão turco.

 

Estas acções surgiram como resposta aos atentados conduzidos em território turco em Julho deste ano. Nomeadamente, o atentado suicida que causou pelo menos 28 mortos e uma centena de feridos na localidade de Suruç e à explosão de um carro armadilhado resultou na morte de dois soldados turcos, e quatro feridos.

 

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