Economia Lisboa tem mais alojamentos locais por habitante do que Paris, Amesterdão ou Londres

Lisboa tem mais alojamentos locais por habitante do que Paris, Amesterdão ou Londres

Em Lisboa, já há mais de 30 alojamentos locais por cada mil habitantes. No período de 2012 a 2018, enquanto os salários dos lisboetas cresceram 10%, os preços das casas na capital portuguesa subiram 50%.
Lisboa tem mais alojamentos locais por habitante do que Paris, Amesterdão ou Londres
Inês Gomes Lourenço
Rafaela Burd Relvas 29 de maio de 2019 às 23:00
O crescimento do setor de alojamento local é um dos fatores que tem vindo a impulsionar os preços da habitação um pouco por toda a Europa, mas o fenómeno faz-se sentir com mais força em algumas cidades. Em Lisboa, já se contam mais de 30 alojamentos por cada mil habitantes, naquele que é o maior rácio identificado entre dez das principais cidades europeias, analisadas pela Moody's.

As conclusões constam do último relatório sobre o mercado de habitação realizado pela agência de notação financeira, que nota que, na Europa, é cada vez mais difícil pagar casa, tendo em conta uma evolução dos preços da habitação muito mais acelerada do que a dos salários.

"Nos anos recentes, a inflação dos preços da habitação tem superado o crescimento dos rendimentos em algumas grandes cidades europeias, diminuindo o poder de compra e diminuindo a qualidade do crédito hipotecário, enquanto beneficia os orçamentos municipais", pode ler-se no relatório da Moody's, divulgado esta quarta-feira, 29 de maio.

Esta evolução levou a que, no ano passado, nas dez cidades analisadas pela Moody's (Amesterdão, Berlim, Dublin, Frankfurt, Lisboa, Londres, Madrid, Milão, Paris e Roma), os proprietários demorem uma média de 15 anos para adquirirem a totalidade das suas casas, sem terem de recorrer a uma hipoteca. Antes da crise, entre 2005 e 2007, o tempo médio para completar a aquisição de uma casa era de 12 anos nas mesmas cidades.

A única exceção é Madrid, onde as casas demoram hoje menos tempo a pagar do que no período pré-crise. Nos restantes casos, é cada vez mais difícil pagar a casa, com destaque para Paris, Londres e Amesterdão, onde o tempo médio para a aquisição da totalidade de uma casa é agora superior a 18 anos. Lisboa fica abaixo da média europeia, com um tempo de cerca de 12 anos, ainda que também tenha sido registado um ligeiro aumento face aos anos anteriores à crise.

A contribuir para esta evolução estão, na análise da Moody's, cinco fatores principais: a inflação dos preços da habitação nestas cidades europeias é superior à inflação a nível nacional; a inflação dos preços da habitação tem sido superior ao crescimento dos salários; a população da maioria destas cidades cresce a um ritmo superior do que é verificado a nível nacional; há pouca construção nova, ao mesmo tempo que a procura aumenta; e há cada vez mais oferta para turistas, o que ocupa parte dos fogos que poderiam ser utilizados para habitação.

Salários dos lisboetas cresceram 10% em seis anos. Casas encareceram 50%

No que diz respeito à relação entre a evolução dos preços das casas e a dos salários, Dublin é o exemplo mais drástico: entre 2012 e 2018, os salários na capital irlandesa aumentaram 10%, enquanto a taxa de inflação da habitação foi de cerca de 90%. Em Lisboa, a disparidade não é tão acentuada, mas a tendência é a mesma: neste período de seis anos, os salários de quem vive em Lisboa cresceram 10%; os preços da habitação aumentaram cerca de 50%.

Quanto à evolução da população, Lisboa é a única cidade onde, em cinco anos, passaram a existir menos habitantes do que no resto do país. Em todas as restantes cidades analisadas pela Moody's, o aumento populacional foi superior ao que se verificou a nível nacional, o que vem colocar maior pressão sobre o mercado de habitação, com o aumento da procura.

Este fenómeno é agravado pelos baixos níveis de construção nova, outro fator que contribui para o aumento dos preços. O maior exemplo é Madrid, onde as casas usadas representam mais de 80% dos imóveis vendidos.

Lisboa tem o maior rácio de alojamentos locais por habitante

Por fim, a evolução do turismo também tem contribuído para o aumento dos preços. "A procura de casas por parte de turistas em zonas urbanas tem impulsionado o mercado habitacional. Entre as principais cidades, Lisboa, Paris e Amesterdão têm os maiores rácios de casas colocadas no Airbnb", indica a Moody's.

Em Lisboa, a agência de notação financeira calcula que existam 32 casas registadas no Airbnb por cada mil habitantes, o rácio mais elevado da lista. É um valor que fica muito acima do que é registado em Paris, a cidade cidade nesta lista, onde há 24 casas destinadas a turistas por cada mil habitantes. Em Amesterdão, o rácio é de 19 para mil.

Os números aqui apresentados dizem respeito ao ano de 2018, antes de terem entrado em vigor as restrições ao alojamento local impostas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), que vêm proibir a abertura de novas unidades nas zonas de maior pressão turística. As restrições começaram por ser aplicadas ao Bairro Alto, Madragoa, Castelo, Alfama e Mouraria, tendo já sido alargadas à Graça e à Colina de Santana. Nestes bairros, estão suspensos os novos registos de alojamento local.



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