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Londres: Alberto Freitas precisou de uma bebida "para acalmar os nervos"

Alberto Freitas precisou de beber uma bebida "para acalmar os nervos", depois do atentado terrorista de quarta-feira, em Londres, cujo impacto sentiu de perto, pois estava no interior do edifício do Parlamento britânico.

Lusa 23 de Março de 2017 às 07:31
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"Já passei por muita coisa, mas uma situação destas foi a primeira e não recomendo", disse à agência Lusa, na quarta-feira à noite, no exterior do café Portugal, onde fumava nervosamente um dos últimos cigarros do maço.

Gerente operacional de banquetes da Câmara dos Lordes, Alberto Freitas lembra-se com precisão ter olhado para o relógio às 14:40 (mesma hora em Lisboa) antes de ter saído para o espaço exterior do Palácio de Westminster, onde se encontrava a trabalhar.

"Eu vim cá fora, dentro do parlamento, vi uma confusão, muitos polícias e seguranças a dizer que tinha havido um tiroteio e um esfaqueamento e para a gente ir para dentro", relatou.

Regressou à recepção com 250 pessoas, que estava a supervisionar, e disse às pessoas que não podiam sair e para manterem a calma, o que aconteceu até chegarem a polícia e as forças especiais.

Pelas televisões, o português de 51 anos, natural da Madeira, e muitas outras pessoas que estavam no interior, souberam os detalhes do que acontecera fora dos portões.

Um homem atropelou vários pedestres enquanto conduzia a alta velocidade na ponte de Westminster e depois esfaqueou um polícia numa das entradas do Parlamento. O atacante foi abatido a tiro.

Pelo menos cinco pessoas morreram no atentado de hoje em frente ao parlamento britânico e 40 ficaram feridas, de acordo com as autoridades. Um português foi atropelado no ataque, mas encontra-se bem, informou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

No interior, a polícia "passou tudo a pente fino" para garantir que não existia mais perigo, disse o madeirense, que vive em Londres há 30 anos.

Posteriormente, todas as pessoas que se encontravam no Parlamento - deputados, lordes, cozinheiros e todo o tipo de funcionários - foram levados para Westminster Hall, uma sala grande onde ficaram até às 19:30.

O que se comentava, confiou Freitas, foi alguma surpresa com a pouca organização na gestão da emergência.

"Eles esperavam que a gente gerisse de maneira mais calma e eficaz. Mas a gente entende que numa situação dessas é muito difícil de controlar", comentou.

Apesar de participar em reuniões regulares sobre segurança e o risco de terrorismo, reconheceu que nem ele estava preparado e que "ficou assustado".

"Estou ali há 20 anos e nunca passei por uma situação dessas, foi a primeira vez", garantiu, ainda abalado.

Os restantes colegas já tinham regressado a casa, mas Alberto Freitas ficou para trás, admitindo: "Ainda não sei como é que vou dormir".

No entanto, sabe que vai ter que voltar ao trabalho em Westminster, onde se deverá manter o perímetro de segurança e forte presença policial.

"Já recebi uma mensagem dos meus superiores a dizer que amanhã [quinta-feira] volta tudo ao normal. Vai ser normal, mas a gente cancelou os banquetes. Amanhã vamos refletir sobre o que se passou e o que se pode fazer no futuro, numa situação destas", adiantou.

Noutros estabelecimentos portugueses de Stockwell, o sentimento era também de relativa normalidade, passada a preocupação das primeiras horas, descreveu António Ramos, funcionário do café Estrela.

Com a televisão sintonizada num canal português de informação, para os clientes acompanharem o que se passava na capital britânica, Ramos disse que os atentados de 2005 em Londres "foram mais alarmantes".

"Agora já não é aquela surpresa. Aconteceu noutros países e as pessoas já começam a estar habituadas", justificou.

Também António Costa, funcionário no restaurante The Three Lions, mostra algum estoicismo em relação ao atentado, no qual morreram pelo menos cinco pessoas e 40 foram feridas, muitas com gravidade.

"Numa cidade destas era de prever. Em 2005 foram mais assustadores. Mas eu já cá estou desde 1986, quando ainda havia atentados do IRA [Exército Republicano Irlandês], e aprendi com isso", concluiu.
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