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Luís Portela, Manuel Vilarinho e Ilídio Pinho estão na lista dos Papéis do Panamá

Há mais de 240 portugueses nas "offshores", segundo a investigação do consórcio de jornalistas que em Portugal conta com o Expresso e a TVI. No Expresso da meia-noite, a capa da edição de sábado do semanário avança com os nomes de Luís Portela, Manuel Vilarinho e Ilídio Pinho entre os portugueses envolvidos.

Negócios 08 de Abril de 2016 às 23:05
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Micael Pereira, jornalista do Expresso que investiga os Panama Papers, disse esta noite no programa Expresso da meia-noite, na SIC Notícias, que este trabalho permitiu já chegar a cerca de 240 nomes de portugueses nestas contas "offshore" do Panamá.

 
A TVI e o Expresso, recorde-se, integram o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI) que investigou mais de 11,5 milhões de documentos e 2,6 terabytes de informação secreta que foram retirados da base de dados interna da sociedade de advogados Mossack Fonseca – sendo este conjunto de documentos, ligados a quase quatro décadas de actividade da empresa, conhecido como "Papéis do Panamá" (Panama Papers).

Começaram por ser avançados 34 nomes portugueses como estando envolvidos nestas contas "offshore", mas o jornalista do Expresso explicou que foram feitos cruzamentos sensitivos, com vários "varrimentos", pelo que já foram identificados cerca de 240 até este momento.

 

Na capa do Expresso deste sábado, 9 de Abril, são referidosos nomes de Luís Portela, fundador da Fundação Bial e presidente não executivo do grupo farmacêutico com o mesmo nome; Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica; e Ilídio Pinho, empresário de Vale de Cambra que criou uma fundação em memória do seu filho Ilídio Pedro.

Luís Portela

O Expresso fala de Luís Portela, como tendo recorrido a "offshores" criadas pela Mossack Fonseca, estando associado à Grandison International Group, a qual controlava de forma indirecta, tendo dessa empresa uma procuração com poder de movimentar dinheiro e activos na conta bancária. A empresa, acrescenta o jornal, terá entretanto sido encerrada.


Contactado pelo Expresso, o fundador da Bial disse que a própria empresa tem presença no Panamá, de onde são coordenadas as actividades na América Latina. Quanto a questões fiscais, diz, "quer eu quer a Bial cumprimos escrupulosamente os preceitos aplicáveis".

 

Manuel Vilarinho


"Eu sei que estou lá [nos Papéis do Panamá], sabe o Ministério Público, e sabe o país todo". Foi assim que o ex-presidente do Benfica reagiu ao contacto do Expresso. Assume que teve a "offshore", mas diz que ter empresas em paraísos fiscais "não é crime". E esclarece que constituiu essa empresa porque "cometeu um pecado que está no DCIAP, por causa de um problema grave que teve com o Banco Espírito Santo". Mas conclui: "não tenho rabos de palha e sou um cidadão cumpridor. Já paguei tudo o que devia".

Manuel Vilarinho também falou com a TVI, tendo confirmado que tinha contas "offshore", o que, por si só, não constitui qualquer ilegalidade.

 

Essa mesma posição foi defendida por Manuel Lopes da Costa, partner e advisory leader de Portugal, Angola e Cabo Verde na PwC – PriceWaterhouseCoopers, que esteve esta noite entre os convidados do Expresso da meia-noite.

 

Lopes da Costa sublinhou que "podemos ter contas offshore e estar perfeitamente dentro da legalidade". "Os que têm contas offshore não são todos malandros, mas a opinião pública se não souber isto bem vai achar que são todos malandros", observou.

 

Ilídio Pinho


O empresário nega que tenha criado alguma offshore. "Não, de todo! Absolutamente zero!", é o que diz ao Expresso. Os dados dos Papéis do Panamá, diz o jornal, revelam que em 2006 Ilídio Pinho e mais oito pessoas obtiveram luz verde para abrir e fechar contas da empresa IPC Management, ligada ao veículo "offshore" Stardec Investments. E também diz que cumpre "rigorosamente" as obrigações fiscais.

 

O Expresso lembra que o empresário tem a Fundação com o seu nome e que o seu grupo IP Holding é o maior accionista da Fomentinvest, à qual Passos Coelho esteve ligado, e que tem ainda assento no conselho geral e de supervisão da EDP e foi administrador não executivo do BES e fundador da Colep.

13 escritórios de advogados foram identificados

Da lista que compõe os Papéis do Panamá, refere ainda o Expresso, constam advogados, sendo identificados 13 escritórios (o Expresso identifica a Abreu Advogados, dizendo que um dos seus advogados - André Gouveia e Silva - surge na base de dados da Mossack Fonseca como contacto de referência da MCM Trading criada em Julho de 2010 e desactivada em Outubro de 2011. A Abreu escusou-se a falar do assunto por sigilo profissional, mas acrescentou que cumpre todos os procedimentos legais no aconselhamento aos clientes), gestores de activos, empresários - especialmente ligados ao imobiliário e de comércio internacional - bem como empresas especializadas em gestão de participações e planeamento fiscal como a FTA Consulting, de Lisboa, a TPM TAx Planing Management, do Funchal, a insolvente Tallantyre Consultants, de Cascais, e a extinta Startrade Management, da Zona Franca da Madeira.

 

Dos registos que o Expresso já analisou relativos à Mossack Fonseca, há 43 "offshores" ainda activas que tiveram intermediários portugueses, registadas sobretudo no Panamá e Ilhas Virgens britânicas. 

"Senhor Cunha" disse ter políticos portugueses entre os seus clientes

Esta sexta-feira, 8 de Abril, o Expresso e a TVI tinham já avançado o nome de Jorge Humberto Cunha Ferreira, um gestor de fortunas do departamento sul-americano do Banque Internationale à Luxembourg (BIL - Banco Internacional do Luxemburgo) que foi nomeado no processo Papéis do Panamá.


Desde 2012 que Jorge Cunha era responsável no BIL por angariar e gerir clientes de Portugal, África e América Latina para a sociedade de advogados panamiana Mossack Fonseca. Depois dessa data, com a venda do BIL à família real do Qatar, a empresa na qual Cunha trabalhava – a Experta – deixou de prestar serviços e Cunha foi ele próprio ter com a Mossack, que forneceu 12 empresas de fachada ao português entre 2013 e 2014.

Segundo o Expresso e a TVI, o "senhor Cunha" (como era conhecido Jorge Humberto Cunha Ferreira na Mossack Fonseca) teve a primeira reunião com esta sociedade panamiana a 20 de Junho de 2013.

Uma gestora da firma - num documento interno – relatou, referindo-se a Jorge Cunha, que "alguns dos clientes do nosso contacto em Portugal são ex-ministros e/ou políticos, portanto irão aparecer como PEP (Pessoas Politicamente Expostas) no processo de DD (Devida Diligência)" – que é o processo de verificação de perfil, de ligações pessoais e profissionais e da origem do dinheiro.

No entanto, da lista do gestor de fortunas estão seis portugueses, dois franceses, uma italiana, um brasileiro e dois venezuelanos, mas nenhum deles é uma pessoa politicamente exposta. Aliás, contactado pelo Expresso e pela TVI, negou que tivesse clientes dessa influência.

Para demonstrar que o BIL não aceitava esses clientes, Jorge Cunha até contou que em 2012 tinha sido abordado para abrir uma conta para Isabel dos Santos, tendo para isso tido uma reunião com o seu braço direito em Portugal, Mário Leite da Silva, e com um gestor da Sartorial Asset Management. Mas, disse, o departamento de "compliance" do banco chumbou a abertura dessa conta, até porque tinha tido de encerrar uma conta que tinha tido em nome do pai de Isabel, José Eduardo dos Santos.

Ao Expresso, a empresária angolana, através de um seu porta-voz, "desmente categoricamente a existência de qualquer relação com a empresa e o banco referidos e afirma que desconhecia a existência tanto de um como de outro até ao presente contacto".

 

Jorge Cunha declarou ainda ao Expresso e TVI que tinha sido contactado para a abertura de contas pelo filho do presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, e para o ex-presidente do Chile, Sebastián Piñera, mas que o banco recusou.


(notícia actualizada à 01:33)

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