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Mário Soares rejeita que Portugal obedeça à troika como um "criado"

O antigo presidente da República Mário Soares disse hoje, em Coimbra, que Portugal não pode "aceitar cegamente" o que diz a troika e obedecer como se "fossemos uns criados".

Lusa 27 de Janeiro de 2012 às 07:46
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Mário Soares, que falou sobre "A crise da Europa e Portugal", numa conferência promovida pela Fundação Inês de Castro, criticou as medidas de "destruição" do Serviço Nacional de Saúde, a falta de financiamento das universidades e a forma como o Governo trata os sindicatos e os militares.

"Quando os militares todos, fardados ou não fardados, começam a manifestar-se nas ruas é preciso abrir os olhos. Quando eles se manifestarem a sério será que é a 'troika' que nos vem defender", questionou perante uma sala repleta.

"Não é com certeza. Tenham bom senso nessas coisas e sejam capazes, pelo menos, visto que estão eleitos democraticamente, de ter uma visão estratégica do que pode ser o nosso futuro", acrescentou.

O antigo governante, que foi primeiro-ministro entre 1976-1978 e 1983-1985, não aceita que as conquistas dos portugueses, "que levaram muito tempo a conseguir, agora possam ser destruídas porque temos ordens de uma quantidade de gente anónima, que não sabemos quem são, donde vêm e o que valem".

Para Mário Soares, mais importante do que a austeridade "e aceitar cegamente, como uma bíblia, o que diz a 'troika', é promover o aumento do crescimento e fazer com o desemprego diminua acentuadamente".

Segundo o fundador do PS, se a União Europeia não mudar o paradigma de desenvolvimento vai entrar em colapso.

"Neste momento, se houver uma modificação na cimeira europeia do próximo dia 30 nós vamos ter outra solução", sublinhou.

Mostrando-se esperançado numa mudança europeia, o antigo presidente da República disse que, se isso acontecer, as 'troikas' vão desaparecer e "nós vamos ter outras oportunidades".

Para isso, referiu, é preciso que o Banco Central Europeu (BCE) emita moeda, como faz o banco central de Inglaterra, "que quando está aflito fabrica notas".

"Porque não havemos de fabricar euros, quando isso acontecer o problema desaparece. Agora estarmos a receber dinheiro de uma empresa que quer ganhar dinheiro à nossa custa com empréstimos a juros de 6, 7, 8 e 10 por cento", enfatizou Mário Soares.

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