Economia Maior fundo de pensões da UE deixa de investir em armas nucleares e tabaco

Maior fundo de pensões da UE deixa de investir em armas nucleares e tabaco

O maior fundo de pensões da União Europeia, o holandês ABP, subscrito por funcionários públicos dos Países Baixos, anunciou esta terça-feira que deixou de investir em armas nucleares e tabaco e vai alienar estas participações dentro de um ano.
Lusa 23 de janeiro de 2018 às 22:28

"Os investimentos em tabaco e armas nucleares têm sido um dilema para nós desde há alguns anos", afirmaram fontes do fundo à Efe, esclarecendo que os investimentos nestas indústrias começaram no final dos anos 1990, quando o fundo foi privatizado.

 

Estas fontes adiantaram que "o objectivo é investir as contribuições das pensões com responsabilidade empresarial", acrescentando que houve outras razões que influenciaram a decisão, como as mudanças nos mercados financeiros e a regulação destes sectores a nível internacional.

 

Quando forem vendidos os 3,3 mil milhões de euros das posições em empresas das armas nucleares e do tabaco, a ABP vai reinvesti-los em sectores que respeitem os critérios que adoptou recentemente, como o de o produto não causar dano às pessoas.

 

O ABP qualificou estas mudanças como "uma oportunidade para obter excelentes rendimentos em outros investimentos" e calcula que os ganhos não obtidos por desinvestir em armas nucleares e tabaco, "se existirem, serão muito limitados".

 

O fundo admite acrescentar outros investimentos à sua lista de exclusões, uma vez que os novos critérios "dão margem suficiente para avaliar qualquer produto". 

 

O ABP é o fundo de pensões dos funcionários das instituições educativas da Holanda, conta com quase três milhões de participantes e uma carteira de investimento de 405 mil milhões de euros. 




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comentários mais recentes
Que o exemplo vingue em Portugal 23.01.2018

Talvez a forma hoje mais prática e eficaz de alinhar a evolução do sistema capitalista com os superiores interesses da Sociedade, seja de repercutir nas politicas de investimento das Gestoras de Ativos critérios consubstanciando o que os Cidadãos consideram os valores éticos que fazem seus.
Haverá quem possa obtemperar que assim se reduz o campo de oportunidades de investimento, com consequências negativas nos resultados.
Duvidamos que assim seja, com base em exemplos que conhecemos.
Mas, mesmo que por hipótese pudesse ser o caso, outros valores Humanos “mais altos se levantam”, para além da procura legítima de rendibilidades.
Na História dos Homens, a defesa de Grandes Causas levou amiúde a excessos, com custos que muitas vezes ultrapassaram os benefícios.
Não haverá neste caso tal temor, e confia-se que não serão razões de inércia, de interesses ou rotinas instaladas, que inviabilizem a oportunidade de, atuando pela negativa, servir altos valores pela positiva.

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