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Maiores poupanças concentram-se nas famílias com rendimentos mais elevados

O estudo A Poupança em Portugal , elaborado pelo Núcleo de Investigação Políticas Económicas da Universidade do Minho e coordenado pelo professor Fernando Alexandre, analisou a distribuição da poupança das famílias.

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 13:11
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O estudo está a ser apresentado hoje de manhã numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), em Lisboa. Na análise à distribuição da poupança, foram utilizados os dados do Inquérito às Despesas das Famílias de 2005-2006 (IDEF), realizado pelo INE.

Os agregados familiares foram agrupados dos que poupam menos para os que poupam mais, divididos e ordenados em 10 grupos, que foram chamados decis de poupança. Para cada decil, foi calculado o peso da poupança das famílias na poupança do conjunto de todas as famílias.

Em primeiro lugar, foi concluído que cerca de 70% das famílias têm poupança positiva, enquanto os restantes 30% têm poupança negativa. “Observa-se uma forte concentração da poupança: quase 90% da poupança total é feita por 20% das famílias (decis 9 e 10); nos decis seguintes a porção da poupança total cai acentuadamente”, refere o estudo.

Por outro lado, constatou-se que as famílias que mais poupam são também aquelas que apresentam taxas de poupança mais elevadas, chegando mesmo a superar os 50% do rendimento, no caso do décimo decil. Simultaneamente, a taxa de poupança cai gradualmente até ao quinto decil, onde se verifica uma taxa de poupança em torno dos 18%.

Numa análise à distribuição da poupança em função do rendimento das famílias, é evidente a grande concentração da poupança nas famílias com rendimentos mais elevados, bem como o aumento da taxa de poupança em linha com o nível de rendimento.

No total, os três decis mais elevados de rendimento, ou seja, os 30% de famílias com rendimento mais alto, representam perto de 80% da poupança total.

Relativamente às famílias com taxas de poupança negativas, é revelado que o grupo dos 10% de famílias mais pobres, primeiro decil da distribuição de rendimento, tem uma taxa média de poupança negativa, de cerca de -8,5%.

“Uma análise dos dados leva-nos a concluir que este decil inclui fundamentalmente agregados compostos por idosas, com nível de escolaridade baixo, a viverem sozinhas nas regiões Norte, Centro e Alentejo”, sublinha a mesma fonte.

As reduzidas taxas de poupança das famílias nacionais relaciona-se com o grande peso das despesas no rendimento. A despesa das famílias com maior peso é aquela que se relaciona com a habitação, que dizia respeito a cerca de 32% da despesa total em 2006. Em segundo lugar, surgem as despesas relacionadas com alimentação, bebidas e tabaco, que representavam perto de 30% do total.

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