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Manuela Ferreira Leite diz que se negociasse com a troika, "no mínimo, gritava"

A ex-presidente do PSD Manuela Ferreira Leite considerou hoje que Portugal não tem futuro com a actual política económica e afirmou que se lhe coubesse negociar com a 'troika', "no mínimo, gritava".

Manuela Ferreira Leite: Consolidação das contas públicas devia ser mais lenta
Negócios com Lusa 21 de Maio de 2013 às 23:49
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"Às vezes perguntam-me o que é que eu faria se lá estivesse. No mínimo, gritava, para alguém ouvir. Não ficava calada de certeza absoluta", afirmou Manuela Ferreira Leite, defendendo que, embora não seja fácil, "há com certeza margem de negociação" com a 'troika'.

 

A antiga ministra das Finanças, que falava no início de um jantar-debate no Grémio Literário, em Lisboa, dedicado ao tema "Portugal: o presente tem futuro?", respondeu a esta pergunta da seguinte forma: "Eu diria que o presente não tem mesmo futuro nenhum. Ou se altera a actual política económica que tem estado a ser seguida, ou o presente não tem futuro".

 

Na sua intervenção, Manuela Ferreira Leite criticou o "desenho" de base do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal, sobretudo pelo "ritmo" imposto para a consolidação das contas públicas, e defendeu que este deveria, entretanto, ter sido corrigido em função dos seus efeitos. "É um desenho está errado e que não tem levado ao menor dos ajustamentos", lamentou.

 

"Entende-se, de alguma forma, que a primeira fase de execução do acordo não tivesse outras grandes alternativas senão aquela que se verificou, mas, a partir do momento em que nós cumprimos exactamente o que estava no memorando e em que os resultados são rigorosamente inversos àqueles que se deseja, aí eu já acho que existe a possibilidade [de ser alterado], e tem de existir", acrescentou.

 

No seu entender, as consequências das medidas tomadas não têm sido avaliadas, e deixam poucas perspectivas de crescimento: "Ao não avaliar as consequências dessas medidas, nós destruímos a nossa estrutura produtiva, nós aniquilámos uma classe média, e agora não venham dizer - porque isso é que eu acho que é a máxima das fantasias - que qualquer dia, não sei em nome de quê, vamos começar a crescer".  "Não há crescimento possível com esta carga fiscal", declarou.

 

Ferreira Leite apoiou a intenção do Governo PSD/CDS-PP de descer o IVA, mas não "aos bocadinhos", e deixou uma sugestão ao executivo para, que, pelo menos, não retire mais dinheiro à economia.

 

Segundo a ex-governante, “no futuro temos de pensar numa estrutura produtiva completamente diversa. Não podemos ter uma que incidência fundamentalmente na procura interna. Temos de trabalhar a pensar na procura externa, na exportação”.

 

Na sua opinião, “essa transformação não se faz em anos, faz-se numa geração”. Pensar que a alteração do modelo de desenvolvimento económico se pode fazer “em anos”, “só pode dar em desemprego”, sublinhou.

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