Política Maria de Lurdes Rodrigues: “Há uma mera redução da despesa à custa da redução de serviço público”

Maria de Lurdes Rodrigues: “Há uma mera redução da despesa à custa da redução de serviço público”

A antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, diz hoje em entrevista ao “i” que nos cortes do sector não observa “eficiência”. “O que temos conseguido, é uma mera redução da despesa à custa da redução de serviço público”, sublinha a ex-governante.
Maria de Lurdes Rodrigues: “Há uma mera redução da despesa à custa da redução de serviço público”
Negócios 21 de março de 2013 às 10:41

“Diminui-se o número de disciplinas, as crianças estão menos tempo na escola, precisamos de menos professores, logo está reduzida a despesa. Mas interrogo-me sobre o sentido desses cortes”, enfatiza Maria de Lurdes Rodrigues.

 

Quando se fala da necessidade de cortar no número de professores, a ex-ministra fala da sua experiência. “Estive à frente do ministério e nunca considerei que os professores fossem a mais, mesmo que fossem. Tínhamos alunos a menos e precisávamos de garantir que se mantinham nas escolas e tinham percursos de êxito. Eram precisos programas para as necessidades de qualificação de jovens e de adultos, tirando o melhor partido dos professores que existiam. Nesse sentido, os professores não eram de mais”, explica.

 

Sobre a redução de quatro mil milhões na despesa do Estado, Rodrigues considera que “é tecnicamente impossível a não ser por medidas cegas e transversais, que já foram tomadas, como cortar dois salários a todos os funcionários públicos”.

 

A ex-ministra considera que houve algumas iniciativas que são preocupantes porque apontam mais para a diminuição do Estado que para a sua reforma. Um dos exemplos, aponta, foi o relatório do FMI em que muitas das medidas não são passíveis de reformar o Estado, só diminuem a despesa.

 

“Reformar o Estado por vezes exigiria um aumento circunstancial da despesa para a seguir se poder tornar mais sustentável, às vezes é preciso um investimento inicial”, refere, salientando que para os problemas que o País atravessa as manifestações que têm ocorrido na rua não são demais, e têm decorrido com grande civilidade. 




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