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Maria Barroso recordada como "lutadora", "humanista" e uma "mulher de cultura e de causas"

Maria Barroso é recordada como uma "lutadora" pela democracia, "humanista", uma "mulher de cultura e de causas". As condolências pela sua morte chegam de todos os quadrantes políticos.

Miguel Baltazar
Negócios com Lusa 07 de Julho de 2015 às 09:45
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O secretário-geral do PS e a direcção nacional dos socialistas manifestaram "grande emoção, profunda dor e sensação de perda" pela morte de Maria Barroso Soares e ordenaram que as bandeiras do partido sejam colocadas a meia-haste."O PS e o seu secretário-geral, António Costa, manifestam a sua mais profunda emoção e consternação pelo falecimento da nossa camarada, fundadora e militante n.º 6, Maria de Jesus Simões Barroso Soares. A sua morte constitui uma perda irreparável para o PS e para o país, que nela sempre viu - e admirou - uma mulher de combate, com uma atividade incansável em prol dos seus ideais e das suas convicções", refere a nota de condolências subscrita pelo líder dos socialistas. 

O secretário-geral do PS destaca que Maria Barroso começou a demonstrar cedo uma atitude "indomável perante a vida ao abandonar uma carreira onde já era reconhecida como uma das melhores actrizes portuguesas para partilhar o combate pela democracia com o seu marido, Mário Soares, estando presente no ato fundador do PS, em 19 de abril de 1973, em Bad Munstereifel, na Alemanha".

 

O Presidente da República também enviou uma mensagem de condolências à família de Maria Barroso, que recorda como "uma mulher de cultura e de causas", bem como "uma lutadora pela liberdade e democracia". "Mulher de cultura e de causas, Maria de Jesus Barroso distinguiu-se, ao longo de décadas, como uma lutadora pela liberdade e pela democracia, antes e depois do 25 de Abril", sublinha Aníbal Cavaco Silva, na mensagem divulgada no site da Presidência da República.

 

O primeiro-ministro recorda Maria Barroso como uma figura com "uma vida ímpar", dedicada ao serviço dos outros e à causa pública, e transmitiu as condolências em nome pessoal e do Governo português. "Foi com enorme tristeza que tomei conhecimento do falecimento da doutora Maria de Jesus Barroso. Teve uma vida ímpar, toda ela dedicada ao serviço dos outros e à causa pública, tendo pugnado de forma intransigente por princípios, valores e ideais, tais como a defesa da democracia, o respeito dos direitos humanos e a elevação da dignidade da pessoa", sublinha o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, num comunicado enviada à agência Lusa.

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, manifestou a sua "profunda tristeza" pela morte de Maria de Jesus Barroso, sublinhando que conjugou na sua vida, "de modo ímpar", as qualidades de mulher e de cidadã. "Maria Barroso lutou em todas as frentes pela dignidade humana e a justiça no mundo. A sua vida conjugou, de um modo ímpar, as qualidades de mulher e de cidadã. Entre o Colégio Moderno e a educação, e a luta no espaço público feita de risco e de dor, Maria Barroso deu um forte impulso ao nosso caminho colectivo de emancipação", refere Assunção Esteves, numa mensagem de condolências.

O PSD manifestou o seu "profundo pesar" pela morte de Maria Barroso, que recorda como uma mulher livre, da tolerância, e que colocou as suas qualidades humanas ao serviço dos outros. "O PSD expressa nesta hora, à família da doutora Maria Barroso e ao Partido Socialista, de que foi fundadora, a mais sentida homenagem. Maria Barroso dedicou a sua vida ao nosso país. Colocou toda a sua energia, fé, dignidade, cultura e qualidades humanas ao serviço dos outros", refere o PSD, numa nota à imprensa citada pela imprensa.

A vice-presidente do CDS-PP Teresa Caeiro recordou Maria Barroso como alguém que prestigiou Portugal e viveu "para os outros" através do empenho "nas causas que a sua consciência cívica, o seu humanismo, a sua dignidade" ditaram. "Teve uma vida para os outros, em função dos outros. Empenhou-se incansavelmente na sua longa vida nas causas que a sua consciência cívica, o seu humanismo, a sua dignidade e a sua proximidade lhe ditavam", afirmou Teresa Caeiro.

O PCP recordou a "intervenção na luta antifascista e pela liberdade" de Maria Barroso. "Evocamos sobretudo, para lá do percurso e dimensão cultural, a sua intervenção na luta antifascista e pela liberdade na qual o seu papel na solidariedade com os presos políticos é expressão", destaca a nota do PCP enviada à agência Lusa.

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, lamentou a morte de Maria Barroso, que caracterizou como uma "mulher muito determinada" e apegada à "liberdade e dignidade humana". Em declarações à agência Lusa, a deputada bloquista destacou Maria Barroso como uma "mulher com um percurso singular de luta antifascista e que ao longo da sua vida manteve uma determinação, uma actividade e um apego às razões da liberdade e da dignidade humana".

 

O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) manifestou o seu pesar pela morte de Maria Barroso, que recorda como uma figura com "um importante contributo" na promoção da democracia, pela luta antifascista e em defesa da liberdade. "Maria Barroso é, ainda, um vulto de maior valor para a cultura portuguesa, que fica, hoje, mais pobre. O PEV expressa as suas condolências à família de Maria Barroso neste momento de profunda tristeza", refere ainda o partido.

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio disse ter ficado "impressionado com o desaparecimento" de uma "figura tão brilhante e notável" como Maria Barroso, cujo legado o país "não vai esquecer". "Foi uma pessoa muito envolvida na resistência contra o regime anterior, em actividades políticas permanentes e grande combatente pela democracia, a quem tive o enorme prazer de distinguir com a ordem da liberdade, porque a merecia", sublinhou.

 

António Guterres, alto comissário das Nações Unidas para os Refugidos (ACNUR) e ex-primeiro-ministro, considerou que a morte de Maria de Jesus Barroso representa uma "perda irreparável" de uma "figura inigualável", que deixa uma "saudade infinita". "Ela foi uma figura inigualável na vida pública portuguesa, pela sua intervenção política e cívica sempre a favor das causas mais nobres, pelo seu inabalável apego aos valores democráticos, pela generosidade com que renunciou a uma carreira brilhante, como actriz excepcional que era, para servir o país. Mas acima de tudo sempre recordarei Maria de Jesus como uma muito querida amiga que sempre mostrou uma extraordinária solidariedade e apoio em alguns momentos difíceis da minha vida pessoal, o que nunca poderei esquecer", salienta o ex-primeiro-ministro (1995/2001) numa declaração à Lusa.

Uma referência para o país e "uma fonte de inspiração" foi como o ex-Presidente da República Ramalho Eanes lembrou Maria Barroso Soares, que classificou como "uma mulher de cultura" e de forte carácter. O ex-Chefe de Estado enalteceu a acção cívica e política de Maria Barroso, considerando que constitui para o país "um exemplo", quer pela "personalidade distinta", quer pelos valores que defendia. 


O comissário europeu Carlos Moedas considera que "a Europa e Portugal perdem hoje uma grande humanista", com o desaparecimento de Maria de Jesus Barroso, uma personalidade que "tornou seus os valores da Europa: dignidade humana, liberdade e democracia".

"Morreu uma grande mulher, uma grande portuguesa, uma grande socialista", destacou Ferro Rodrigues, num comunicado enviado à agência Lusa.

 

"É uma notícia muito triste, embora Maria Barroso seja daquelas pessoas que não morrem. A sua vida foi tão intensa e tão inspiradora que deixa para sempre uma marca naqueles que com ela privaram de perto", referiu à agência Lusa Manuel Alegre, num depoimento em que recorda ter conhecido a mulher do ex-Presidente da República Mário Soares em meados dos anos 60, em Paris, quando estava no exílio. Para Manuel Alegre, Maria de Jesus Barroso "foi sempre uma primeira dama, mesmo antes de Mário Soares ter sido eleito Presidente da República" em 1986.

Sampaio da Nóvoa, candidato à Presidência da República, evocou Maria de Jesus Barroso como "uma figura maior do Portugal da liberdade, da cultura e da consciência social". "A Dr.ª Maria de Jesus Barroso é uma figura maior do Portugal da liberdade, da cultura e da consciência social. A sua coragem, sempre presente, é um exemplo para todos nós", afirmou António Sampaio da Nóvoa, em comunicado.

 

Maria Barroso, mulher do ex-Presidente da República Mário Soares, morreu esta terça-feira, 7 de Julho, aos 90 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internada, em estado grave, desde 26 de Junho, disse fonte do hospital.

(Notícia em actualização)

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