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Marine Le Pen confiante na formação de novo grupo de extrema-direita

A líder da Frente Nacional ainda não tem os apoios necessários à formação de um grupo parlamentar. Faltam-lhe extremistas vindos de, pelo menos, dois outros países.

Reuters
Lusa 28 de Maio de 2014 às 18:22
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A líder da Frente Nacional (FN) francesa, Marine Le Pen, afirmou nesta quarta-feira não ter "qualquer preocupação quanto à futura existência" de um grupo de extrema-direita no Parlamento Europeu (PE), mas admitiu não ter ainda os apoios necessários.

 

Le Pen deu uma conferência de imprensa no Parlamento Europeu, em Bruxelas, com o líder do Partido da Liberdade (PVV) holandês, Geert Wilders, e responsáveis do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), da Liga do Norte (LN) italiana e do partido belga flamengo Vlaams Belang (VB).

Para constituir um grupo político no PE são precisos pelo menos 25 deputados de sete países da UE.

 

A líder da extrema-direita francesa admitiu na conferência de imprensa que, neste momento, conta apenas com deputados de cinco países, mas, sublinhou, com "uma base extremamente sólida de 38 deputados" (24 da FN, 4 do PVV, 5 da LN, 4 do FPOe e 1 do VB). "As combinações possíveis são consideráveis", disse, acrescentando que "o número de possibilidades" deixa os líderes destes cinco partidos "extremamente optimistas".

 

Le Pen disse que "outros partidos" manifestaram vontade de constituir um grupo, referindo-se, sem nomear, ao Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) de Nigel Farage. "O próprio princípio de negociações exige discrição", disse, acrescentando depois: "Lamento Nigel, mas vamos constituir um grupo".

 

"Estou muito confiante que nas próximas semanas sejamos capazes de juntar sete partidos", disse por seu lado Geert Wilders.

 

A FN, que venceu as eleições europeias em França, elegendo 24 deputados, já tinha anunciado a intenção de formar um grupo de extrema-direita com o PVV de Wilders, a Aliança Europeia pela Liberdade.

 

O UKIP, que foi o outro grande vencedor eurocéptico das europeias, elegendo também 24 eurodeputados, liderava no PE cessante o grupo Europa da Liberdade e da Democracia (ELD), que incluía partidos eurocépticos de países como a Polónia ou Itália.

 

Até agora, Nigel Farage excluiu integrar um grupo com a Frente Nacional, por considerar que o partido de Marine Le Pen tem o anti-semitismo "no seu ADN", mas não excluiu a possibilidade de uma frente comum eurocéptica.

 

Nigel Farage pode vir a reunir o apoio de partidos eurocépticos escandinavos como Os Finlandeses (2 deputados), os Democratas da Suécia (2) ou o Partido Popular dinamarquês (4). Não está por outro lado excluído que os anti-euro Alternativa para a Alemanha (AfD), que elegeu 7 eurodeputados, Gregos Independentes (1) ou mesmo o Movimento 5 Estrelas (17) possam juntar-se ao UKIP. O partido eurocéptico britânico poderá ter de disputar com a Frente Nacional partidos como o lituano Ordem e Justiça (2) ou o polaco KPN (4).

 

Tanto Nigel Farage como Marine Le Pen recusam aliar-se aos partidos da extrema-direita radical Aurora Dourada (3), da Grécia; Jobbik (3), da Hungria, ou NPD (1), da Alemanha.

 

Um grupo político no PE confere influência e meios financeiros adicionais aos partidos que o compõem.

 

Os membros de um grupo podem assumir a presidência de uma das 20 comissões e duas subcomissões parlamentares, participam na definição da agenda das sessões plenárias e beneficiam do direito de responder directamente no plenário aos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.

 

Financeiramente, têm direito a um secretariado, escritórios e assessores pagos pelo PE.

 

Em 2013, os sete grupos políticos do PE partilharam um orçamento de 57 milhões de euros para esses fins. Dependendo do número de eurodeputados que o constituam, um grupo pode receber entre um e três milhões de euros por ano.

 

A primeira sessão do PE saído das eleições europeias de 22-25 maio está marcada para 1 de Junho.

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