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Mario Draghi trava escalada dos juros com promessa de fazer "o que for necessário"

Perspectiva de intervenção do banco central no mercado afundou juros de Espanha e Itália. Bolsas europeias disparam.

Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt 27 de Julho de 2012 às 00:01
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Dois dos principais responsáveis do BCE entraram em cena nos últimos dois dias para acalmar os ânimos nos mercados. Depois de Ewald Nowotny ter dito que "há argumentos a favor" de dar uma licença bancária ao fundo europeu, para que este financie os Estado, Mario Draghi veio ontem afirmar que "o BCE está pronto para fazer o que for necessário para preservar o euro". As taxas de Itália e Espanha afundaram com os investidores a lerem nas entrelinhas que Draghi prepara nova intervenção nos mercados.

"Dentro do seu mandato, o BCE está pronto para fazer o que for necessário para preservar o euro. E, confiem em mim, será suficiente", afiançou o presidente do BCE numa conferência de banqueiros em Londres. As declarações são "música para os ouvidos para os investidores, que vêem no BCE a única forma de aliviar de forma convincente a pressão sobre Espanha e Itália no curto prazo", diz Nicholas Spiro, da consultora londrina Spiro Sovereign Strategy, ao Negócios.

Os juros de Espanha a 10 anos afundaram quase 50 pontos-base para menos de 7%, com um alívio ainda maior nos prazos mais curtos. Em Itália, a taxa a 10 anos caiu para pouco mais de 6%, 70 pontos-base menos do que a taxa recorde registada 36 horas antes, assistindo-se a uma escalada dos mercados accionistas europeus. "A escalada dramática das taxas de Espanha e Itália da última semana poderá ter sensibilizado o BCE para a necessidade de intervir", diz Nicholas Spiro.

O presidente do BCE não mostrou abertura para a realização de novas operações de refinanciamento de longo prazo nem para promover programas de expansão monetária semelhantes aos realizados nos EUA e no Reino Unido. Mas afirmou que "a dilatação do prémio de risco de algumas dívidas soberanas prejudicam os canais de transmissão da política monetária".

Foi exactamente esta a formulação que suportou, ainda no tempo de Jean-Claude Trichet, a criação do "Securities Market Programme". A plataforma está "adormecida" há quase cinco meses, mas os analistas acreditam que o BCE poderá estar prestes a ceder. "Temos de responder a esta fragmentação" que se criou nos mercados, afirmou Draghi.

No passado, a compra de dívida pelo BCE revelou-se insuficiente para evitar a perda do acesso aos mercados por parte de Irlanda de Portugal. E teve apenas um efeito temporário na dívida de Espanha e Itália, que o BCE já comprou no final do ano passado. "Veremos até que ponto é que o BCE vai corresponder às expectativas que estas declarações geraram. Para já, pelo menos, foi suficiente para assustar os 'shorts'", diz Nicholas Spiro, referindo-se aos investidores que estavam a apostar a queda do preço dos títulos de dívida de Espanha e Itália.

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