Emprego Mercado não está preparado para oferecer "empregos dignos" a jovens licenciados

Mercado não está preparado para oferecer "empregos dignos" a jovens licenciados

O mercado de trabalho em Portugal "não está plenamente preparado" para oferecer aos jovens diplomados "empregos dignos", revela um relatório europeu da Cáritas, que é apresentado hoje em Lisboa. 
Mercado não está preparado para oferecer "empregos dignos" a jovens licenciados
Sofia A. Henriques
Lusa 27 de fevereiro de 2018 às 00:28

"Em Portugal, há muitas pessoas que terminaram estudos superiores, mas que não conseguem encontrar um emprego correspondente às suas habilitações e que são consideradas demasiado qualificadas para outros tipos de trabalho", refere o relatório "Os jovens precisam de um futuro", da Cáritas Europa.

 

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, advertiu que "os baixos salários que estão a ser oferecidos a jovens com determinadas qualificações podem fazer suscitar a pouca motivação para evoluir nos estudos".

 

Recentemente, a OCDE disse que é necessário elevar os níveis de escolaridade da população portuguesa, "mas é preciso não esquecer que existe uma mentalidade predominante que o aumento de qualificação implica a procura de um trabalho em condições que seja compatível com o investimento feito na formação".

 

Contudo, o que está a acontecer é que "os jovens, em nome dos postos de trabalho, estão a ser colocados em estágios profissionais e outras medidas de emprego com uma temporalidade pequena, havendo ainda outros que estão a aceitar trabalho a recibos verdes".

 

O relatório afirma que, embora o 'Garantia Jovem' e medidas similares estejam a gerar algumas oportunidades, "não estão a ser criados empregos de qualidade" e alerta que "muitos jovens estão retidos em programas de estádio sem qualquer protecção social".

 

Para Eugénio Fonseca, estas medidas podem "ter o seu valor" desde que garantam "contratos de trabalho efectivos e com durabilidade" e o acesso à saúde e ao subsídio de desemprego.

 

Os autores do relatório defendem que "a relação entre o sistema educativo e o mercado de trabalho tem de ser fortemente reforçada", porque não está a responder às necessidades do mercado de trabalho.

 

Em 2015, segundo o INE, os trabalhadores jovens (18-24 anos) recebiam, em média, menos 346,22 euros do que os trabalhadores com idades entre os 35 e os 44 anos.

 

Estes números podem ser explicados pelas medidas tomadas na sequência das recomendações das instituições europeia e da 'troika', que se fixaram "na preocupação em impedir que a taxa de desemprego continuasse a aumentar", mas o efeito foi "o aumento do trabalho temporário e dos empregos precários", sublinha o documento.

 

Em 2016, o Governo reviu os montantes definidos nestas medidas, mas "os salários permanecem baixos e não correspondem ao nível de qualificações obtidas".

 

Os salários baixos e as "condições de trabalho precárias" e a "educação desadequada ou de pouca qualidade" são apontados no documento como os "problemas mais preocupantes" relacionados com a juventude em Portugal.

 

Com um desemprego juvenil de 20,8% (6,1% superior à média da União Europeia) e 14% dos jovens que abandonaram a escola (4% acima da média da UE), "um número significativo e de jovens portugueses sente que não tem futuro".

 

O relatório alerta também para os custos elevados das despesas escolares em Portugal, sublinhando que as famílias de baixos rendimentos não conseguem suportar os gastos com os estudos dos seus filhos.

 

O relatório é apresentado hoje num encontro em Lisboa, que conta com a presença do secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer, e do presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, que assinala o início da Semana Nacional Cáritas que decorre até domingo em todo o país.




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mais votado Anónimo 27.02.2018

O comuno-socialismo luso, presente em todos os sindicatos e em muitos partidos de Portugal, obedece a uma intrigante lógica que agita a bandeira da educação mas que quando vê alguém que se educou e foi capaz de inovar ao ponto de fazer desaparecer onerosas e ineficientes carreiras que garantem postos de trabalho obsoletos pagos por contribuintes, consumidores, investidores e trabalhadores com real procura de mercado, levanta de imediato uma bandeira especial do trabalho e diz, em mau tom, ao inovador educado, para fugir do país ou mudar compulsivamente de ocupação abdicando dos potenciais rendimentos que adviriam da inovação conseguida. O comuno-socialismo é psicopata e criminoso. Uma verdadeira doença mental grave, perigosa para todo e qualquer cidadão esclarecido que se lhe oponha.

comentários mais recentes
Anónimo 27.02.2018

Sem mercado laboral flexível nem mercado de capitais forte e dinâmico, até podes ser pós-doutorado em ciência de foguetões-robô reutilizáveis pelo MIT, que em Portugal não enriqueces. Não existem condições de mercado porque não há mercado. Só proteccionismo capitalista de compadrio e sindical, indecorosamente patrocinado pelo Orçamento Geral do Estado - o pote feito do fruto da pilhagem e extorsão legais a uma casta inferior de cidadão-vítima. Agradece à Constituição do PREC.

27.02.2018

Se calhar o dinheiro que voou do BES, BPP, BPN está nas mãos do Bloco de Esquerda e do PCP. O governo de 15 dias do Passos até tinha um parvo de Coimbra que passou um atestado de idoneidade ao Ricardo Espírito Santo.
Portanto a culpa disto é da esquerdalha, só pode ó Pertinaz. Filia-te no PC.

Anónimo 27.02.2018

O Costa despede de Portugal jovens sem indemnização e a pagar taxa aeroportuária. A traidora Catarina, antes carpideira está conivente com esta injustiça.

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