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Mercado sem casas suficientes para responder ao aumento da procura

O impacto da crise económica e a dificuldade em obter crédito bancário fez aumentar a procura de casas para alugar, mas do lado da oferta o mercado continua pouco dinâmico, dizem as empresas do sector imobiliário.

Lusa 10 de Setembro de 2010 às 14:24
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A falta de confiança dos proprietários e a carga fiscal pesada são, para o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), as principais causas que explicam a falta de casas para arrendar.

"A procura aumentou, mas a oferta não, o problema é precisamente esse", afirmou Luís Lima, à agência Lusa, acrescentando que os preços teriam tendência para se manter, ou mesmo diminuir, caso a oferta acompanhasse a procura.

O responsável da APEMIP salientou que a procura não se deve a um maior dinamismo do mercado, mas é essencialmente "motivada pela dificuldade de comprar casa", e reforçou a necessidade de agilizar o despejo dos inquilinos incumpridores.

"Os proprietários não tem confiança no recebimento das rendas. Colocar um inquilino fora por incumprimento demora muito tempo. Isso faz com que não haja rendas a preços aceitáveis e haja poucas casas no mercado".

Luís Lima pede também mudanças na fiscalidade, referindo que, enquanto um fundo imobiliário paga 20 por cento de IRS, um particular que queira arrendar a casa "paga entre 25 a 35 por cento e tem ainda de pagar o IMI e o condomínio", além da incerteza de ficar sem receber a renda.

Ricardo Guimarães, director geral do Confidencial Imobiliário, é mais optimista, sublinhando que o arrendamento surge cada vez mais como alternativa à compra de casa própria, ainda que motivado pelo clima de crise económica.

Mas destaca duas fases distintas: se em 2009, houve um claro aumento das rendas devido à maior procura, desde a segunda metade desse ano e até ao segundo trimestre de 2010, a tendência é claramente diferente, apontando para uma descida no valor das rendas.

"Em Lisboa e no Porto, temos quatro trimestres consecutivos com as rendas a descer", adiantou o responsável desta empresa, que produz indicadores de análise do mercado baseando-se nos dados do portal imobiliário LardoceLar.com.

Lisboa, em termos homólogos, sofreu no segundo trimestre de 2010 uma descida de 1,8 por cento no valor das rendas, enquanto no Porto, a quebra foi ainda mais acentuada: 4,1 por cento face ao período homólogo, resultando de uma sucessão de quatro descidas em cadeia em termos trimestrais.

"A dinamização do mercado fez aumentar as rendas, mas com a oferta a crescer esta tendência acabou por ser contrariada", justificou Ricardo Guimarães.

Segundo os dados que o Instituto Nacional de Estatística hoje divulgou, a actualização dos preços das rendas deverá ser de 0,2 por cento, depois de um ano de congelamento, para 2011.

Luís Lima insiste no entanto que esse não é o maior problema: "O que era preciso era para o mercado a funcionar".

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